ITA 2010 — questão 17 de Física

Enunciado em texto
Constantes dadas na prova: Caso necessário, use os seguintes dados: … Permissividade do vácuo: . …
Uma esfera condutora de raio possui no seu interior duas cavidades esféricas, de raio e , respectivamente, conforme mostra a figura. No centro de uma cavidade há uma carga puntual e no centro da outra, uma carga também puntual , cada qual distando do centro da esfera condutora de e , respectivamente. É correto afirmar que
[Figura: esfera condutora (cinza) de raio com duas cavidades esféricas brancas: à esquerda, de raio , com a carga no centro; à direita, de raio , com a carga no centro. Os segmentos e ligam o centro da esfera aos centros das cavidades e formam entre si o ângulo .]
A) a força entre as cargas e é .
B) a força entre as cargas e é nula.
C) não é possível determinar a força entre as cargas, pois não há dados suficientes.
D) se nas proximidades do condutor houvesse uma terceira carga, , esta não sentiria força alguma.
E) se nas proximidades do condutor houvesse uma terceira carga, , a força entre e seria alterada.
(Enunciado e figura: Vestibular ITA 2010, prova de Física — ITA.)
Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem ao Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).
Resolução comentada
O que a questão pede: a força elétrica que uma carga “sente” da outra, estando cada uma numa cavidade de um condutor.
Passo 1 — as cargas induzidas. Em equilíbrio, o campo é nulo dentro do material condutor. Por isso a parede da cavidade recebe carga induzida , a parede da cavidade recebe e, se a esfera era neutra, a superfície externa fica com .
Passo 2 — o campo dentro de cada cavidade. O condutor funciona como uma blindagem (gaiola de Faraday): o campo de tudo que está fora da cavidade (a carga , as cargas induzidas na cavidade e as da superfície externa) se cancela no metal e também dentro da cavidade . Sobra só o campo de e da carga na própria parede.
Passo 3 — a força em . Como está no centro de uma cavidade esférica, a carga se distribui uniformemente na parede, por simetria, e não faz força resultante sobre ela. Logo a força elétrica resultante sobre é nula; o mesmo vale para .
Um detalhe de linguagem: a força de Coulomb de continua “existindo”, mas é exatamente cancelada pela das cargas que ela induz no condutor. O efeito líquido de sobre é zero, e é isso que a (B) afirma.
Por que não as outras: (A) é a lei de Coulomb no vácuo, com a distância dada pela lei dos cossenos; ela ignora o condutor. (C) os dados bastam, e a resposta nem depende de , , . (D) uma carga externa sente a força da carga da superfície externa (e das cargas que ela mesma induz). (E) a carga externa só redistribui as cargas da superfície externa; a blindagem continua isolando as cavidades.
⚠️ A armadilha: a (A). A fórmula parece “caprichada” (com a lei dos cossenos e tudo), mas trata as cargas como se estivessem no vácuo. Entre elas há metal, e o metal blinda.
A ideia em uma frase: carga dentro de uma cavidade de condutor só “vê” a própria cavidade; o que acontece fora não chega até ela.
Resposta: alternativa B (a força é nula).
Vídeo em breve
A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.
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