ITA 2015 — questão 3 de Física

Enunciado em texto
Constantes dadas na prova: Constante dos gases: . Pressão atmosférica ao nível do mar: . Massa molecular do u. Calor latente do gelo: 80 cal/g. Calor específico do gelo: 0,5 cal/(g·K). 1 cal = erg. Aceleração da gravidade: .
Uma massa puntiforme é abandonada com impulso inicial desprezível do topo de um hemisfério maciço em repouso sobre uma superfície horizontal. Ao descolar-se da superfície do hemisfério, a massa terá percorrido um ângulo em relação à vertical. Este experimento é realizado nas três condições seguintes, I, II e III, quando são medidos os respectivos ângulos , e :
I. O hemisfério é mantido preso à superfície horizontal e não há atrito entre a massa e o hemisfério.
II. O hemisfério é mantido preso à superfície horizontal, mas há atrito entre a massa e o hemisfério.
III. O hemisfério e a massa podem deslisar livremente pelas respectivas superfícies.
Nestas condições, pode-se afirmar que
A) e .
B) e .
C) e .
D) e .
E) .
(Enunciado: Vestibular ITA 2015, prova de Física — ITA.)
Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem ao Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).
Resolução comentada
O que a questão pede: comparar o ângulo em que a massa se descola do hemisfério no caso ideal (I) com o caso com atrito (II) e com o caso em que o hemisfério também pode deslizar (III).
Passo 1 — a condição de descolamento. Enquanto a massa está na superfície, a componente do peso na direção do centro, menos a normal, faz o papel de resultante centrípeta (R é o raio do hemisfério):
Ela descola quando a normal zera, ou seja, quando
Repare: quanto maior a velocidade num dado ângulo, mais cedo essa condição é atingida.
Passo 2 — caso I (sem atrito, hemisfério preso). A energia mecânica se conserva:
Passo 3 — caso II (com atrito). O atrito dissipa energia, então em cada ângulo a velocidade é menor que no caso I. A condição só é alcançada mais adiante, com cos θ menor: a massa “gruda” por mais tempo. Logo .
Passo 4 — caso III (hemisfério livre). Agora a normal empurra o hemisfério para trás: ele recua e “foge” de baixo da massa. A quantidade de movimento horizontal do conjunto se conserva (não há atrito com o chão), e a energia também. Fazendo as contas no referencial do hemisfério (M é a massa dele e u a velocidade da partícula em relação a ele), chega-se a
O denominador é menor que 1, então a velocidade relativa em cada ângulo é maior que no caso I. No instante do descolamento a normal é zero, o hemisfério deixa de ser acelerado e a condição continua sendo . Com u maior, ela é atingida antes: .
Conferindo com um número: para M = m, a condição vira , cuja raiz útil é , ou seja, θ ≈ 43°, menor que 48°. E se M fosse enorme, o hemisfério nem se mexeria e voltaríamos ao caso I.
⚠️ A armadilha: achar que o atrito faz a massa se soltar antes (alternativas A e B). É o contrário: com menos velocidade, falta “vontade” de sair pela tangente, e a massa acompanha a superfície por mais tempo.
A ideia em uma frase: a massa descola quando v² = gR cos θ; o atrito tira velocidade (descola depois) e o recuo do hemisfério aumenta a velocidade relativa (descola antes).
Resposta: alternativa C ( e ).
Vídeo em breve
A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.
Prefere navegar prova por prova? Abra esta questão no Filatte Resolve.