ITA 2015 — questão 19 de Física

Gabarito EFísica moderna — dilatação do tempo: múon chegando ao soloProva de Física · testes 1 a 20
Enunciado — imagem da prova
Enunciado da questão 19 de Física do ITA 2015

Enunciado em texto

Constantes dadas na prova: Constante dos gases: R=8 J/(mol⋅K)R = 8\ \text{J/(mol}\cdot\text{K)}. Pressão atmosférica ao nível do mar: P0=100 kPaP_0 = 100\ \text{kPa}. Massa molecular do CO2=44CO_2 = 44 u. Calor latente do gelo: 80 cal/g. Calor específico do gelo: 0,5 cal/(g·K). 1 cal = 4×1074 \times 10^7 erg. Aceleração da gravidade: g=10,0 m/s2g = 10{,}0\ \text{m/s}^2.

Um muon de meia-vida de 1,5 μ\mus é criado a uma altura de 1 km da superfície da Terra devido à colisão de um raio cósmico com um núcleo e se desloca diretamente para o chão. Qual deve ser a magnitude mínima da velocidade do muon para que ele tenha 50% de probabilidade de chegar ao chão?

A) 6,7×1076{,}7 \times 10^{7} m/s

B) 1,2×1081{,}2 \times 10^{8} m/s

C) 1,8×1081{,}8 \times 10^{8} m/s

D) 2,0×1082{,}0 \times 10^{8} m/s

E) 2,7×1082{,}7 \times 10^{8} m/s

(Enunciado: Vestibular ITA 2015, prova de Física — ITA.)

Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem ao Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

Resolução comentada

O que a questão pede: a velocidade com que o múon precisa viajar para que a descida de 1 km dure, no relógio dele, uma meia-vida (1,5 μs), o que dá 50% de chance de sobreviver.

Passo 1 — a física clássica não basta. Sem relatividade, ele teria de percorrer 1 km em 1,5 μs: v=1000/(1,5×10−6)≈6,7×108v = 1000/(1{,}5 \times 10^{-6}) \approx 6{,}7 \times 10^{8} m/s, mais que a velocidade da luz. Impossível: é preciso usar a dilatação do tempo.

Passo 2 — a dilatação do tempo. A meia-vida de 1,5 μs vale no referencial do múon (tempo próprio, τ). Para a Terra, a viagem dura t = 1000/v, e as duas medidas se relacionam por

t=τ1−v2/c2t = \frac{\tau}{\sqrt{1 - v^2/c^2}}

1000v=1,5×10−61−β2\frac{1000}{v} = \frac{1{,}5 \times 10^{-6}}{\sqrt{1 - \beta^2}}

com β = v/c e c = 3 × 10⁸ m/s.

Passo 3 — resolver. Escrevendo v = βc:

1−β2β=1,5×10−6⋅3×1081000\frac{\sqrt{1-\beta^2}}{\beta} = \frac{1{,}5 \times 10^{-6} \cdot 3 \times 10^{8}}{1000}

1−β2β=0,45\frac{\sqrt{1-\beta^2}}{\beta} = 0{,}45

1β2−1=0,2025\frac{1}{\beta^2} - 1 = 0{,}2025

β2≈0,832⇒β≈0,912\beta^2 \approx 0{,}832 \Rightarrow \beta \approx 0{,}912

v≈2,7×108 m/sv \approx 2{,}7 \times 10^{8}\ \text{m/s}

Por que “mínima”: mais rápido, a viagem dura menos que uma meia-vida no relógio do múon, e a chance de chegar passa de 50%. Abaixo disso, fica menor que 50%.

Conferindo pelo outro referencial: para o múon, é a distância que se contrai: 1 km × √(1 − 0,832) ≈ 0,41 km, percorrido a 2,74 × 10⁸ m/s em cerca de 1,5 μs. Confere.

⚠️ A armadilha: dividir a distância pelo tempo sem relatividade, o que dá uma velocidade maior que a da luz e nenhuma alternativa coerente.

A ideia em uma frase: a meia-vida vale no relógio do múon; para a Terra, ela se dilata pelo fator γ, e é isso que deixa o múon chegar ao chão.

Resposta: alternativa E (2,7×1082{,}7 \times 10^{8} m/s).

Vídeo em breve

A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.

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