ITA 2013 — questão 4 de Física

Enunciado em texto
Num certo experimento, três cilindros idênticos encontram-se em contato pleno entre si, apoiados sobre uma mesa e sob a ação de uma força horizontal , constante, aplicada na altura do centro de massa do cilindro da esquerda, perpendicularmente ao seu eixo, conforme a figura. Desconsiderando qualquer tipo de atrito, para que os três cilindros permaneçam em contato entre si, a aceleração provocada pela força deve ser tal que
[Figura: dois cilindros lado a lado, encostados, apoiados na mesa, e um terceiro cilindro igual apoiado em cima dos dois. A força , horizontal e para a direita, atua no cilindro de baixo da esquerda, na altura do seu centro (linha tracejada que passa pelos centros dos dois cilindros de baixo).]
A) .
B) .
C) .
D) .
E) .
(Enunciado e figura: Vestibular ITA 2013, prova de Física — ITA.)
Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem ao Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).
Resolução comentada
O que a questão pede: o intervalo de acelerações em que os três cilindros andam juntos, sem que nenhum contato se desfaça.
Passo 1 — a geometria. Chame de 1 e 2 os cilindros de baixo (1 à esquerda, onde atua ) e de 3 o de cima. Os centros dos três formam um triângulo equilátero, então a reta que liga o centro de um cilindro de baixo ao centro do de cima faz com a horizontal. Sem atrito, as forças de contato são normais: cada uma está nessa reta que liga os centros.
Passo 2 — o cilindro de cima. O cilindro 1 o empurra com , para cima e para a frente; o cilindro 2 o empurra com , para cima e para trás. Todos andam com a mesma aceleração , para a frente. Na vertical (equilíbrio) e na horizontal (2ª lei de Newton):
Resolvendo:
Passo 3 — limite de cima. Para o cilindro de cima continuar encostado no 2, é preciso :
Com aceleração maior, só o cilindro 1 não dá conta de empurrar o de cima para a frente: ele “fica para trás” e perde contato com o 2.
Passo 4 — o cilindro da direita. Na horizontal, o cilindro 2 recebe o empurrão do 1 (, para a frente) e a componente horizontal de , que o cilindro de cima faz sobre ele, também para a frente:
Passo 5 — limite de baixo. Para os cilindros 1 e 2 continuarem encostados, :
Com aceleração menor, o cilindro de cima funciona como uma cunha e afasta os dois de baixo.
Conferindo: com (), seria negativo: sem atrito, a pirâmide de cilindros não fica de pé sozinha, os de baixo escorregam para os lados. É por isso que existe um limite inferior.
⚠️ A armadilha: esquecer que o cilindro de cima também empurra o da direita para a frente (a componente horizontal de ) e escrever , que nunca é negativo. Aí some o limite inferior, e não se chega a nenhuma alternativa. Também é comum trocar seno e cosseno de na decomposição das normais.
A ideia em uma frase: aceleração demais e o cilindro de cima fica para trás; aceleração de menos e ele afasta os de baixo como uma cunha — cada limite sai de uma normal igual a zero.
Resposta: alternativa A ().
Vídeo em breve
A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.
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