ITA 2011 — questão 12 de Física

Gabarito BÓptica — refração num dioptro esférico (hemisfério de vidro)Prova de Física · testes 1 a 20
Enunciado — imagem da prova
Enunciado da questão 12 de Física do ITA 2011

Enunciado em texto

Um hemisfério de vidro maciço de raio de 10 cm e índice de refração n=3/2n = 3/2 tem sua face plana apoiada sobre uma parede, como ilustra a figura. Um feixe colimado de luz de 1 cm de diâmetro incide sobre a face esférica, centrado na direção do eixo de simetria do hemisfério. Valendo-se das aproximações de ângulos pequenos, sen θ≈θ\text{sen}\,\theta \approx \theta e tg θ≈θ\text{tg}\,\theta \approx \theta, o diâmetro do círculo de luz que se forma sobre a superfície da parede é de

[Figura: hemisfério de vidro (índice n) com a face plana encostada numa parede vertical à direita e a face curva voltada para a esquerda; o raio de 10 cm está indicado. Um feixe de raios paralelos de 1 cm de diâmetro chega pela esquerda, ao longo do eixo de simetria (linha pontilhada).]

A) 1 cm.

B) 23\frac{2}{3} cm.

C) 12\frac{1}{2} cm.

D) 13\frac{1}{3} cm.

E) 110\frac{1}{10} cm.

(Enunciado e figura: Vestibular ITA 2011, prova de Física — ITA.)

Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem ao Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

Resolução comentada

O que a questão pede: o diâmetro da mancha de luz na parede, depois que o feixe de 1 cm atravessa a face curva e percorre o vidro até a face plana.

Passo 1 — onde o feixe convergiria. A face curva é convexa para o lado da luz e passa do ar (n = 1) para o vidro (n = 3/2): ela faz os raios convergirem. Para um único dioptro esférico com objeto no infinito (raios paralelos), a equação de Gauss do dioptro é:

n1p+n2p′=n2−n1R\frac{n_1}{p} + \frac{n_2}{p^{\prime}} = \frac{n_2 - n_1}{R}

0+1,5p′=0,510⇒p′=30 cm0 + \frac{1{,}5}{p^{\prime}} = \frac{0{,}5}{10} \Rightarrow p^{\prime} = 30\ \text{cm}

Os raios convergiriam para um ponto a 30 cm do vértice da face curva, dentro do vidro.

Passo 2 — a mancha na parede. A face plana (e a parede) fica a 10 cm do vértice, porque passa pelo centro do hemisfério. O feixe é um cone que afina linearmente de 1 cm (no vértice) a zero (a 30 cm). A 10 cm do vértice faltam 20 cm para o foco:

d=1 cm×30−1030=23 cmd = 1\ \text{cm} \times \frac{30 - 10}{30} = \frac{2}{3}\ \text{cm}

Conferindo pela lei de Snell: um raio a uma altura hh do eixo bate na esfera com ângulo de incidência θ1=h/R\theta_1 = h/R (a normal passa pelo centro). Ele refrata com θ2=θ1/n=2h/(3R)\theta_2 = \theta_1/n = 2h/(3R) e, portanto, desvia θ1−θ2=h/(3R)\theta_1 - \theta_2 = h/(3R) em direção ao eixo. Andando cerca de RR até a parede, desce R⋅h/(3R)=h/3R \cdot h/(3R) = h/3 e chega à altura 2h/32h/3. Com h=0,5h = 0{,}5 cm, o diâmetro da mancha é 2×2×0,5/3=2/32 \times 2 \times 0{,}5/3 = 2/3 cm.

⚠️ A armadilha: usar a fórmula do foco de uma lente plano-convexa, f=R/(n−1)=20f = R/(n-1) = 20 cm. Ela vale para a luz que sai de novo para o ar, o que não acontece aqui (a luz para na parede, dentro do vidro). Com 20 cm, a mancha teria 1×(20−10)/20=1/21 \times (20 - 10)/20 = 1/2 cm, a alternativa C.

A ideia em uma frase: a face curva sozinha é um dioptro: ela leva o feixe a convergir 30 cm adiante, e a parede, a 10 cm, corta o cone quando ele tem 2/3 do diâmetro original.

Resposta: alternativa B (2/3 cm).

Vídeo em breve

A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.

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