UNICAMP 2006 (2ª fase) — questão 4 de Física

Enunciado em texto
Utilize g = 10 m/s² e π = 3, sempre que for necessário na resolução das questões.
Em uma auto-estrada, por causa da quebra de uma ponta de eixo, a roda de um caminhão desprende-se e vai em direção à outra pista, atingindo um carro que vem em sentido oposto. A roda é lançada com uma velocidade de 72 km/h, formando um ângulo de 30° com a pista, como indicado na figura abaixo. A velocidade do carro antes da colisão é de 90 km/h; a massa do carro é igual a 900 kg e a massa da roda do caminhão é igual a 100 kg. A roda fica presa ao carro após a colisão.
(Figura com dois quadros, “ANTES” e “DEPOIS”, vistos de cima. Em cada um, uma pista de cima e uma de baixo, separadas por uma faixa de “Gramado”. ANTES: na pista de cima, o carro anda para a direita (seta para a direita); na pista de baixo, o caminhão está com a cabine voltada para a esquerda, isto é, anda em sentido oposto ao do carro; junto ao caminhão sai uma seta (a roda) apontando para cima e para a esquerda, formando 30° com a direção da pista. DEPOIS: na pista de cima, o carro com a roda presa a ele, com uma seta apontando para a direita e ligeiramente para cima, em direção à borda da pista; o caminhão continua na pista de baixo.)
a) Imediatamente após a colisão, qual é a componente da velocidade do carro na direção transversal à pista?
b) Qual é a energia cinética do conjunto carro-roda imediatamente após a colisão?
Se for necessário, use: sen 30° = 0,5, cos 30° = 0,87.
(Enunciado e figura: Vestibular Unicamp 2006, 2ª fase — Comvest/Unicamp.)
Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem à UNICAMP.
Resolução comentada
O que a questão pede: (a) a componente transversal (perpendicular à pista) da velocidade do conjunto carro + roda logo após o choque; (b) a energia cinética desse conjunto.
Passo 1 — a lei que vale aqui. Durante o choque, as forças entre carro e roda são internas e muito intensas; atrito e outras forças externas são desprezíveis nesse instante. Então a quantidade de movimento do sistema se conserva — e ela é um vetor: conserva-se em cada direção separadamente. A energia cinética não se conserva, porque a roda fica presa ao carro (colisão perfeitamente inelástica).
Passo 2 — os dados em m/s e as componentes. Carro: 90 km/h = 25 m/s, ao longo da pista. Roda: 72 km/h = 20 m/s, a 30° com a pista. Chamando de x a direção da pista (positivo no sentido do carro) e de y a transversal:
O sinal negativo é porque a roda vem do caminhão, que anda em sentido oposto ao do carro (na figura, a seta da roda aponta para a esquerda).
Item (a) — conservação na direção transversal. Antes, só a roda tinha movimento em y. Depois, carro e roda andam juntos (1000 kg):
Item (b) — Passo 1: conservação ao longo da pista:
Passo 2 — a energia cinética. O módulo da velocidade vem das duas componentes (Pitágoras):
A resposta esperada da banca escreve J.
Conferindo: antes do choque, a energia cinética era ½·900·25² + ½·100·20² = 281 250 + 20 000 ≈ 3,0 × 10⁵ J. Depois, cerca de 2,2 × 10⁵ J: sumiram uns 80 kJ (deformação, calor, som), como se espera numa colisão em que os corpos ficam grudados.
⚠️ A armadilha: somar a componente da roda ao longo da pista no mesmo sentido do carro. A roda vem em sentido oposto, então ela freia o carro: com o sinal trocado, sairia m/s e uma energia de cerca de 2,9 × 10⁵ J. Outro erro é usar conservação de energia: numa colisão em que os corpos ficam presos, só a quantidade de movimento se conserva.
A ideia em uma frase: na colisão, a quantidade de movimento se conserva em cada direção: em y só a roda contribuía; em x, carro e roda se opõem.
Resposta: (a) 1,0 m/s; (b) cerca de J ( J).
Vídeo em breve
A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.
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