UNICAMP 2006 (2ª fase) — questão 11 de Física

Enunciado em texto
Utilize g = 10 m/s² e π = 3, sempre que for necessário na resolução das questões.
A utilização de campos elétrico e magnético cruzados é importante para viabilizar o uso da técnica híbrida de tomografia de ressonância magnética e de raios X.
A figura abaixo mostra parte de um tubo de raios X, onde um elétron, movendo-se com velocidade = 5,0 × 10⁵ m/s ao longo da direção , penetra na região entre as placas onde há um campo magnético uniforme, , dirigido perpendicularmente para dentro do plano do papel. A massa do elétron é = 9 × 10⁻³¹ kg e a sua carga elétrica é = −1,6 × 10⁻¹⁹ C. O módulo da força magnética que age sobre o elétron é dado por , onde é o ângulo entre a velocidade e o campo magnético.
(Figura: duas placas horizontais, uma em cima e outra embaixo, de 10 cm de comprimento, terminando à direita num alvo vertical. O elétron chega pela esquerda, com velocidade no sentido +x, ao longo de uma linha tracejada que atinge o alvo. Entre as placas, o símbolo ⊗ indica entrando no papel. Uma cota de 12 cm vai da linha do elétron até a placa de baixo. Eixos: y para cima, x para a direita.)
a) Sendo o módulo do campo magnético B = 0,010 T, qual é o módulo do campo elétrico que deve ser aplicado na região entre as placas para que o elétron se mantenha em movimento retilíneo uniforme?
b) Numa outra situação, na ausência de campo elétrico, qual é o máximo valor de B para que o elétron ainda atinja o alvo?
O comprimento das placas é de 10 cm.
(Enunciado e figura: Vestibular Unicamp 2006, 2ª fase — Comvest/Unicamp.)
Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem à UNICAMP.
Resolução comentada
O que a questão pede: (a) o campo elétrico que anula a força magnética, para o elétron seguir em linha reta; (b) o maior B com que o elétron, desviado só pelo campo magnético, ainda chega ao alvo.
Item (a) — Passo 1: o sentido da força magnética. Para uma carga positiva, com para a direita (+x) e entrando no papel, a regra da mão direita dá força para cima (+y). O elétron é negativo, então a força nele aponta para baixo (−y), rumo à placa inferior.
Passo 2 — equilibrar com a força elétrica. Para movimento retilíneo uniforme, a resultante é nula: a força elétrica deve ter o mesmo módulo e apontar para cima (+y). Como , sen θ = 1:
Como o elétron é negativo, para a força elétrica nele apontar para cima, o campo deve apontar para baixo (−y).
Item (b) — Passo 1: o raio da trajetória. Sem campo elétrico, a força magnética é sempre perpendicular à velocidade e faz o elétron descrever um arco de circunferência, curvando para baixo:
Quanto maior o B, menor o raio, e mais fechada a curva.
Passo 2 — a condição para atingir o alvo. O elétron entra na horizontal e o alvo está 10 cm adiante. Se o raio for menor que 10 cm, ele faz meia-volta antes de chegar lá. O caso limite é r = 10 cm: o elétron chega ao alvo de raspão, 10 cm abaixo da linha de entrada — o que cabe nos 12 cm até a placa de baixo, então ele não bate na placa antes. Logo, m e:
⚠️ A armadilha: usar os 12 cm como raio mínimo, achando que o limite é o elétron bater na placa: daria B ≈ 2,3 × 10⁻⁵ T. Mas com raio de 12 cm o elétron passa por x = 10 cm ainda bem acima da placa; o que realmente limita é o comprimento de 10 cm até o alvo.
A ideia em uma frase: campos cruzados: qE = qvB dá E = vB; sem E, o elétron faz um arco de raio mv/(qB), que precisa ser de pelo menos 10 cm para alcançar o alvo.
Resposta: (a) E = 5,0 × 10³ V/m (5,0 kV/m); (b) T.
Vídeo em breve
A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.
Prefere navegar prova por prova? Abra esta questão no Filatte Resolve.