UNICAMP 2003 (2ª fase) — questão 7 de Física

Enunciado em texto
Utilize g = 10 m/s² sempre que necessário na resolução dos problemas.
Uma moeda encontra-se exatamente no centro do fundo de uma caneca. Despreze a espessura da moeda. Considere a altura da caneca igual a 4 diâmetros da moeda, , e o diâmetro da caneca igual a 3 .
(Figura: corte vertical de uma caneca, com a alça à esquerda e a moeda no centro do fundo. Uma linha tracejada horizontal prolonga o topo da caneca para a direita; mais à direita, uma linha tracejada vertical marca a posição do observador. Uma faixa horizontal, acima do topo da caneca, vai do meio da caneca até essa linha vertical.)
a) Um observador está a uma distância de 9 da borda da caneca. Em que altura mínima, acima do topo da caneca, o olho do observador deve estar para ver a moeda toda?
b) Com a caneca cheia de água, qual a nova altura mínima do olho do observador para continuar a enxergar a moeda toda? .
(Enunciado e figura: Vestibular Unicamp 2003, 2ª fase — Comvest/Unicamp.)
Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem à UNICAMP.
Resolução comentada
O que a questão pede: (a) a menor altura do olho que ainda enxerga a moeda inteira com a caneca vazia; (b) a mesma altura com a caneca cheia de água.
Item (a) — o ponto mais difícil de ver. O observador está à direita. A borda da caneca do lado dele esconde a parte da moeda mais próxima dessa parede. Então o ponto crítico é a borda direita da moeda: se o olho vê esse ponto, vê a moeda toda.
A moeda tem raio e a caneca, raio . Assim, a borda direita da moeda fica a (na horizontal) da parede, e abaixo do topo. O raio de luz que sai dela e passa raspando na borda da caneca sobe a cada que anda na horizontal. Andando mais até o observador, ele sobe:
Item (b) — a refração na superfície da água. Com a caneca cheia, o raio crítico ainda sai da borda direita da moeda e passa pela borda da caneca, mas agora se refrata ao sair da água, exatamente na borda. Na água, o ângulo com a vertical (a normal) é , com catetos e :
Pela lei de Snell, com :
No ar, o raio vai da borda da caneca até o olho: anda na horizontal e sobe . Então:
Solução alternativa (aproximada, aceita pela banca): usar a profundidade aparente. A moeda parece estar a do topo; refazendo a semelhança do item (a), .
Conferindo: com água, a moeda “sobe” (parece mais rasa), e o observador pode ficar mais baixo: 27 contra 36 . É o velho truque da moeda que “aparece” no copo quando se põe água.
⚠️ A armadilha: usar o centro da moeda (que está a da parede) em vez da borda mais próxima da parede: daria , e o olho veria só parte da moeda.
A ideia em uma frase: o ponto que manda é a borda da moeda colada à parede do lado do observador; sem água, a luz anda em linha reta; com água, ela se dobra ao sair e o observador pode ficar mais baixo.
Resposta: (a) ; (b) (pela aproximação da profundidade aparente, ).
Vídeo em breve
A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.
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