UNICAMP 2003 (2ª fase) — questão 2 de Física

DiscursivaEnergia — desaceleração em g, energia potencial equivalente e potência média2ª fase · Física (discursiva)
Enunciado — imagem da prova
Enunciado da questão 2 de Física do UNICAMP 2003 (2ª fase)

Enunciado em texto

Utilize g = 10 m/s² sempre que necessário na resolução dos problemas.

Um cartaz de uma campanha de segurança nas estradas apresenta um carro acidentado com a legenda “de 100 km/h a 0 km/h em 1 segundo”, como forma de alertar os motoristas para o risco de acidentes.

a) Qual é a razão entre a desaceleração média e a aceleração da gravidade, ac/ga_c/g ?

b) De que altura o carro deveria cair para provocar uma variação de energia potencial igual à sua variação de energia cinética no acidente?

c) A propaganda de um carro recentemente lançado no mercado apregoa uma “aceleração de 0 km/h a 100 km/h em 14 segundos”. Qual é a potência mecânica necessária para isso, considerando que essa aceleração seja constante? Despreze as perdas por atrito e considere a massa do carro igual a 1000 kg.

(Enunciado: Vestibular Unicamp 2003, 2ª fase — Comvest/Unicamp.)

Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem à UNICAMP.

Resolução comentada

O que a questão pede: (a) quantos “g” tem a freada do acidente; (b) a altura de queda equivalente ao choque; (c) a potência para acelerar o carro de 0 a 100 km/h em 14 s.

Item (a) — desaceleração média. Em m/s, 100 km/h = 100/3,6 ≈ 27,8 m/s. O carro perde essa velocidade em 1 s:

ac=27,81=27,8 m/s2a_c = \frac{27{,}8}{1} = 27{,}8\ \text{m/s}^2

acg=27,810≈2,8\frac{a_c}{g} = \frac{27{,}8}{10} \approx 2{,}8

Item (b) — igualar energias. Queremos uma queda cuja energia potencial perdida seja igual à energia cinética perdida no acidente:

mgh=mv22mgh = \frac{m v^2}{2}

h=v22g=27,8220≈39 mh = \frac{v^2}{2g} = \frac{27{,}8^2}{20} \approx 39\ \text{m}

Bater a 100 km/h equivale a cair de uns 39 m, a altura de um prédio de 13 andares. (A massa se cancela: vale para qualquer carro.)

Item (c) — teorema da energia cinética. Sem atrito, todo o trabalho do motor vira energia cinética:

W=mv22=1000×27,822W = \frac{m v^2}{2} = \frac{1000 \times 27{,}8^2}{2}

W≈3,9×105 JW \approx 3{,}9 \times 10^{5}\ \text{J}

Esse trabalho é feito em 14 s. A potência (média) é:

P=WΔt=3,9×10514P = \frac{W}{\Delta t} = \frac{3{,}9 \times 10^{5}}{14}

P≈2,8×104 W=28 kWP \approx 2{,}8 \times 10^{4}\ \text{W} = 28\ \text{kW}

Solução alternativa (da banca): pela cinemática, com aceleração constante o carro anda d=v2/2a≈195d = v^2/2a \approx 195 m nos 14 s; a força é F=maF = ma e P=Fd/ΔtP = Fd/\Delta t, que dá o mesmo resultado.

Atenção: 28 kW é a potência média. Com aceleração constante, a força é constante e a potência instantânea P=FvP = Fv cresce com a velocidade: começa em zero e chega a cerca de 55 kW no fim dos 14 s.

⚠️ A armadilha: esquecer de converter km/h para m/s. Com 100 no lugar de 27,8, o item (a) daria 10 g e o item (b), 500 m.

A ideia em uma frase: a energia cinética de um carro a 100 km/h é a mesma de uma queda de quase 40 m, e é esse trabalho que o motor tem de fornecer para chegar lá.

Resposta: (a) ac/g≈2,8a_c/g \approx 2{,}8; (b) cerca de 39 m; (c) cerca de 28 kW (potência média).

Vídeo em breve

A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.

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