UEM 2018 (Verão, Conhecimentos Específicos) — questão 10 de Física

Enunciado em texto
Considere o seguinte fragmento de uma das obras de Leibniz: “suponho que um corpo, caindo de uma certa altura, adquire a força de subir até ela de novo [...], a menos que se encontrem alguns obstáculos. [...] Suponho, também, ser necessária tanta força para elevar um corpo A, de uma libra, à altura CD de quatro toesas, quanta [força] para elevar um corpo B, de quatro libras, à altura EF de uma toesa. [...] É, pois, manifesto que, tendo o corpo A caído da altura CD, adquiriu tanta força, precisamente, como o corpo B caído da altura EF; pois, tendo chegado a F o corpo (B) e tendo ali força para subir novamente até E (pela primeira suposição), tem por conseguinte a força de elevar um corpo de quatro libras, quer dizer, o seu próprio corpo, à altura EF de uma toesa, e da mesma forma, tendo chegado a D o corpo (A) e tendo ali força para voltar a subir até C, tem a força de elevar um corpo de uma libra, quer dizer, o seu próprio corpo, à altura CD de quatro toesas. Logo (pela segunda suposição) a força desses dois corpos é igual.
Vejamos agora se a quantidade de movimento é também a mesma em ambos os lados. Mas aqui, precisamente, ficaremos surpresos por encontrar grandíssima diferença, pois já foi demonstrado por Galileu ser a velocidade adquirida pela queda CD dupla da velocidade obtida pela queda EF, se bem que a altura seja quádrupla. Multiplicando, pois, o corpo A, que é como 1, pela sua velocidade, que é como 2, o produto ou a quantidade de movimento será como 2; e, por outro lado, multiplicando o corpo B, que é como 4, pela sua velocidade, que é como 1, será como 4 o produto ou a quantidade de movimento. Logo, a quantidade de movimento do corpo (A) no ponto D é a metade da quantidade de movimento do corpo (B) no ponto F e, no entanto, são iguais as suas forças. Há, portanto, grande diferença entre a quantidade de movimento e a força, como que se queria demonstrar.” (Adaptado de LEIBNIZ, G. W. Discurso de Metafísica. São Paulo: Abril Cultural, 1983, p. 133-134).
Sabe-se que libra é unidade de medida de massa, toesa é unidade de medida de comprimento. Chame a altura EF de h e considere que se possa entender a palavra força utilizada por Leibniz como equivalente ao conceito atual de energia mecânica. Sabe-se também que os pontos D e F se encontram à mesma altura e que a energia potencial é igual a zero nesses pontos. Assinale o que for correto.
[Figura: em I, um cubo A no alto, na altura do ponto C, e o mesmo cubo, tracejado e indicado por (A), embaixo, na altura do ponto D; uma régua vertical tracejada de C a D marca a altura 4. Em II, um bloco B formado por quatro cubos iguais (dois sobre dois) no alto e o mesmo bloco, tracejado e indicado por (B), embaixo; ao lado, uma régua vertical tracejada de E a F marca a altura 1.]
(01) A energia potencial do corpo A em C e a energia potencial do corpo B em E são iguais e diretamente proporcionais à altura h.
(02) A energia cinética adquirida pelo corpo A ao atingir o ponto D é maior do que a energia cinética adquirida pelo corpo B ao atingir o ponto F.
(04) A energia mecânica do corpo A ao atingir o ponto D é igual à energia mecânica do corpo B ao atingir o ponto F.
(08) As velocidades adquiridas pelo corpo A em D e pelo corpo B em F são diretamente proporcionais às alturas de suas respectivas quedas.
(16) Embora a altura de queda do corpo A seja o quádruplo da altura de queda do corpo B, o tempo de queda do corpo A é o dobro do tempo de queda do corpo B.
(Enunciado e figura: Vestibular UEM 2018 (Verão), Conhecimentos Específicos — UEM/CVU.)
Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem à Universidade Estadual de Maringá (UEM), Comissão Central do Vestibular Unificado (CVU).
Resolução comentada
O que a questão pede: traduzir o argumento de Leibniz em energia potencial, energia cinética e queda livre.
Passo 1 — os dados. Chamando de a massa de A (1 libra), B tem . A altura de A é e a de B é .
(01) Verdadeira.
Iguais, e ambas proporcionais a .
(02) Falsa. Sem atrito, cada corpo transforma toda a sua energia potencial em cinética na queda. Como as potenciais iniciais são iguais, as cinéticas em D e em F também são iguais.
(04) Verdadeira. A energia mecânica se conserva em cada queda e é a mesma para os dois: . É exatamente a “igualdade das forças” de Leibniz.
(08) Falsa. Na queda livre a partir do repouso,
A velocidade é proporcional à raiz da altura. Por isso altura 4 vezes maior dá velocidade só 2 vezes maior, como o texto cita de Galileu.
(16) Verdadeira. O tempo de queda também vai com a raiz da altura:
⚠️ A armadilha: na (02), achar que quem cai de mais alto chega com mais energia. Aqui o corpo que cai de mais alto tem um quarto da massa: as energias se compensam.
A ideia em uma frase: a “força viva” de Leibniz é a energia (mgh vira mv²/2), que se conserva; a quantidade de movimento mv não é a mesma coisa.
Resposta: soma 21 (01 + 04 + 16).
Vídeo em breve
A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.
Prefere navegar prova por prova? Abra esta questão no Filatte Resolve.