ENEM 2016 PPL — questão 87 de Física

Enunciado em texto
Algumas crianças, ao brincarem de esconde-esconde, tapam os olhos com as mãos, acreditando que, ao adotarem tal procedimento, não poderão ser vistas.
Essa percepção da criança contraria o conhecimento científico porque, para serem vistos, os objetos
a) refletem partículas de luz (fótons), que atingem os olhos.
b) geram partículas de luz (fótons), convertidas pela fonte externa.
c) são atingidos por partículas de luz (fótons), emitidas pelos olhos.
d) refletem partículas de luz (fótons), que se chocam com os fótons emitidos pelos olhos.
e) são atingidos pelas partículas de luz (fótons), emitidas pela fonte externa e pelos olhos.
Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem ao ENEM.
Resolução comentada
A questão trata de uma concepção intuitiva antiga e errada — a de que a visão "sai" dos olhos. É uma ideia que a criança do enunciado adota, que os gregos defenderam por séculos (a teoria da emissão, de Empédocles e Platão) e que só foi definitivamente derrubada por Alhazen, no século XI.
A condição de visibilidade, do jeito correto — e o sentido da seta é tudo:
Objetos comuns não emitem luz própria. Eles são iluminados por uma fonte externa (o Sol, a lâmpada) e refletem parte dessa luz difusamente, em todas as direções. Quem estiver no caminho de alguns desses fótons refletidos vê o objeto. O olho é um receptor, não um emissor. Alternativa A.
Por que a criança erra — e por que o erro é compreensível. Tapar os olhos realmente faz o mundo desaparecer para ela. A criança generaliza a própria experiência: se eu não vejo, não sou vista. É um erro de reciprocidade, não de física — ela supõe que a visão é uma via de mão dupla, e ela é de mão única, do objeto para o olho.
Por que as outras caem — e cada uma é uma versão da teoria da emissão:
• B (objetos GERAM fótons, convertidos pela fonte externa): objetos comuns não geram luz. Só corpos incandescentes ou luminescentes emitem luz própria — a criança não brilha no escuro.
• C (fótons emitidos PELOS OLHOS): é a teoria da emissão pura. Se fosse verdade, enxergaríamos no escuro absoluto — e a experiência mostra o contrário: sem fonte de luz, não há visão, por mais abertos que estejam os olhos.
• D (fótons do objeto se chocam com fótons dos olhos): mistura as duas ideias e ainda inventa uma colisão entre fótons, que na prática não acontece em luz comum.
• E (fótons emitidos pela fonte externa E pelos olhos): meio certa e meio errada — e meio errada basta para cair.
O teste decisivo, que qualquer um pode fazer: entre num quarto totalmente escuro. Os olhos continuam funcionando, abertos, saudáveis — e você não vê nada. Se a visão dependesse de algo saindo do olho, a escuridão não faria diferença. Foi esse tipo de argumento que encerrou a discussão.
Onde mais isso aparece: é a mesma razão pela qual a Lua brilha (reflete a luz do Sol, não emite), pela qual um objeto preto é preto (absorve quase toda a luz em vez de refletir) e pela qual um espelho no escuro não mostra nada.
A ideia em uma frase: ver é receber luz que o objeto refletiu — nada sai do olho, e tapar os olhos só apaga o mundo para quem tapou.
Resposta: alternativa A.
Vídeo em breve
A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.
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