ENEM 2016 PPL — questão 78 de Física

Enunciado em texto
Em 26 de dezembro de 2004, um tsunami devastador, originado a partir de um terremoto na costa da Indonésia, atingiu diversos países da Ásia, matando quase 300 mil pessoas. O grau de devastação deveu-se, em boa parte, ao fato de as ondas de um tsunami serem extremamente longas, com comprimento de onda de cerca de 200 km. Isto é muito maior que a espessura da lâmina de líquido, d, típica do Oceano Índico, que é de cerca de 4 km. Nessas condições, com boa aproximação, a sua velocidade de propagação torna-se dependente de d, obedecendo à relação v = √(gd). Nessa expressão, g é a aceleração da gravidade, que pode ser tomada como 10 m/s².
SILVEIRA, F. L.; VARRIALE, M. C. Propagação das ondas marítimas e dos tsunami. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, n. 2, 2005 (adaptado).
Sabendo-se que o tsunami consiste em uma série de ondas sucessivas, qual é o valor mais próximo do intervalo de tempo entre duas ondas consecutivas?
a) 1 min
b) 3,6 min
c) 17 min
d) 60 min
e) 216 min
Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem ao ENEM.
Resolução comentada
O enunciado dá a fórmula e todos os números. O que ele testa é se você sabe qual relação liga velocidade, comprimento de onda e período.
Passo 1 — a velocidade de propagação. A profundidade é km m:
Passo 2 — o período. O intervalo entre duas ondas consecutivas é o período, e a relação fundamental das ondas é :
Passo 3 — converter para minutos, que é o que a questão pede:
⚠️ Os dois quilômetros que precisam virar metros. km m e km m. Quem esquece a conversão de obtém m/s e um período absurdo; quem esquece a de obtém s. Nenhuma das duas aparece nas alternativas — o que já é um aviso.
O que os 200 m/s significam. São 720 km/h — a velocidade de um avião a jato. Um tsunami atravessa um oceano em horas, e é por isso que os sistemas de alerta funcionam: o sinal sísmico viaja mais rápido ainda e chega antes da onda.
Por que a fórmula depende só da profundidade. A relação vale para águas rasas, e "raso" aqui é relativo ao comprimento de onda: 4 km de profundidade é raso para uma onda de 200 km de comprimento. Isso tem uma consequência dramática — quando o tsunami se aproxima da costa, diminui, cai, mas a energia continua a mesma: a onda encurta e a amplitude dispara. É exatamente o que transforma uma ondulação quase imperceptível em alto-mar numa parede de água na praia.
Por que "ondas extremamente longas" é a chave do desastre, como diz o enunciado: com período de ~17 min, a água não sobe e desce em segundos como numa onda comum — ela continua entrando por mais de dez minutos. Não é uma onda que quebra; é o nível do mar subindo e permanecendo.
As outras alternativas: A (1 min) e B (3,6 min) viriam de velocidades exageradas; D (60 min) e E (216 min) de velocidades pequenas demais — nenhuma compatível com e os dados dados.
A ideia em uma frase: dá 200 m/s, e 200 km divididos por 200 m/s dão mil segundos — cerca de 17 minutos entre uma onda e a seguinte.
Resposta: alternativa C.
Vídeo em breve
A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.
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