ENEM 2019 — questão 120 de Física

Gabarito BGravitação e cinemática angular — movimento relativo à Terra em rotação2º dia · Aplicação regular · Caderno 5 (Amarelo)
Enunciado — imagem da prova
Enunciado da questão 120 de Física do ENEM 2019

Enunciado em texto

Na madrugada de 11 de março de 1978, partes de um foguete soviético reentraram na atmosfera acima da cidade do Rio de Janeiro e caíram no Oceano Atlântico. Foi um belo espetáculo, os inúmeros fragmentos entrando em ignição devido ao atrito com a atmosfera brilharam intensamente, enquanto "cortavam o céu". Mas se a reentrada tivesse acontecido alguns minutos depois, teríamos uma tragédia, pois a queda seria na área urbana do Rio de Janeiro e não no oceano.

[Figura: globo terrestre com o sentido de rotação da Terra indicado no polo, a linha do Equador, o Oceano Atlântico e a posição do Rio de Janeiro assinalada.]

LAS CASAS, R. Lixo espacial. Observatório Astronômico Frei Rosário, ICEx, UFMG. Disponível em: www.observatorio.ufmg.br. Acesso em: 27 set. 2011 (adaptado).

De acordo com os fatos relatados, a velocidade angular do foguete em relação à Terra no ponto de reentrada era

a) igual à da Terra e no mesmo sentido.

b) superior à da Terra e no mesmo sentido.

c) inferior à da Terra e no sentido oposto.

d) igual à da Terra e no sentido oposto.

e) superior à da Terra e no sentido oposto.

Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem ao ENEM.

Resolução comentada

A questão se resolve com uma pergunta de geografia e uma de cinemática. A geografia: os fragmentos reentraram acima da cidade do Rio de Janeiro e caíram no Oceano Atlântico — ou seja, entre o começo e o fim eles avançaram para leste em relação ao solo brasileiro.

A cinemática: a Terra também gira para leste (é o sentido indicado na figura, e é por isso que o Sol nasce a leste).

Agora o raciocínio. O deslocamento do foguete em longitude, medido em relação à superfície, é a diferença entre as duas velocidades angulares:

Δλ=(ωfoguete−ωTerra)⋅Δt\Delta\lambda = (\omega_{foguete} - \omega_{Terra})\cdot \Delta t

Para que o foguete tenha ganhado longitude para leste em relação ao solo — saído do céu do Rio e chegado ao oceano a leste — é preciso que:

ωfoguete−ωTerra>0  ⟹  ωfoguete>ωTerra, no mesmo sentido\omega_{foguete} - \omega_{Terra} > 0 \;\Longrightarrow\; \omega_{foguete} > \omega_{Terra}, \text{ no mesmo sentido}

Confira a ordem de grandeza — ela torna o resultado óbvio. A Terra dá uma volta em 24 horas. Um objeto em órbita baixa dá uma volta em cerca de 90 minutos. A velocidade angular do foguete é, portanto, cerca de 16 vezes maior que a da Terra. Não há como um corpo em órbita acompanhar a rotação do planeta a não ser em órbita geoestacionária — que fica a 36 000 km, muito acima de qualquer reentrada.

Por que as de sentido oposto caem: um objeto que orbitasse de leste para oeste (órbita retrógrada) teria sido lançado contra a rotação da Terra — o que é feito raramente e a um custo enorme de combustível, porque se perde o "empurrão" de graça dos 460 m/s da rotação no equador. Foguetes são lançados para leste justamente para aproveitá-lo.

Por que A e D (velocidade igual) caem: velocidade angular igual à da Terra significa ficar parado em relação ao solo — um satélite geoestacionário, que por definição não cruza o céu e não cai atravessando cidades.

A ideia em uma frase: quem cruza o céu do Rio e cai no mar a leste está girando no mesmo sentido da Terra, só que muito mais rápido.

Resposta: alternativa B.

Vídeo em breve

A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.

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