ENEM 2017 — questão 127 de Física

Gabarito AEletromagnetismo — gerador, fem induzida e resistência do enrolamento2º dia · Aplicação regular · Caderno 5 (Amarelo)
Enunciado — imagem da prova
Enunciado da questão 127 de Física do ENEM 2017

Enunciado em texto

Para demonstrar o processo de transformação de energia mecânica em elétrica, um estudante constrói um pequeno gerador utilizando:

• um fio de cobre de diâmetro D enrolado em N espiras circulares de área A;

• dois ímãs que criam no espaço entre eles um campo magnético uniforme de intensidade B; e

• um sistema de engrenagens que lhe permite girar as espiras em torno de um eixo com uma frequência f.

Ao fazer o gerador funcionar, o estudante obteve uma tensão máxima V e uma corrente de curto-circuito i.

Para dobrar o valor da tensão máxima V do gerador mantendo constante o valor da corrente de curto i, o estudante deve dobrar o(a)

a) número de espiras.

b) frequência de giro.

c) intensidade do campo magnético.

d) área das espiras.

e) diâmetro do fio.

Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem ao ENEM.

Resolução comentada

A questão pede duas coisas ao mesmo tempo: dobrar VV E manter ii. Cada alternativa precisa passar nos dois testes — e é por isso que a resposta não é a primeira que dobra a tensão.

As duas fórmulas que governam o gerador:

Vmaˊx=N B A (2πf)icurto=VmaˊxRV_{máx} = N\,B\,A\,(2\pi f) \qquad\qquad i_{curto} = \frac{V_{máx}}{R}

onde RR é a resistência do próprio enrolamento:

R=ρ LS,L∝N  (mais espiras=mais fio),S=πD24R = \rho\,\frac{L}{S}, \qquad L \propto N \ \ (\text{mais espiras} = \text{mais fio}), \qquad S = \frac{\pi D^{2}}{4}

Passo 1 — testar cada candidato nos DOIS critérios:

• B (dobrar a frequência ff): VV dobra ✅, mas RR não muda → ii dobra ❌.

• C (dobrar o campo BB): VV dobra ✅, RR não muda → ii dobra ❌.

• D (dobrar a área AA): VV dobra ✅, mas atenção: dobrar a área também aumenta o perímetro e portanto o comprimento do fio — só que por 2\sqrt{2}, não por 2. RR cresce menos que VV → ii aumenta ❌.

• E (dobrar o diâmetro DD do fio): VV não depende de DD — não dobra nada ❌. (E ainda faria RR cair 4 vezes, quadruplicando ii.)

• A (dobrar o número de espiras NN): VV dobra ✅ e o comprimento do fio dobra junto, então RR também dobra:

icurto=2V2R=VR=iinalterado ✅i_{curto} = \frac{2V}{2R} = \frac{V}{R} = i \quad \textbf{inalterado} \ ✅

Só a alternativa A passa nos dois testes.

Por que ela funciona, em palavras: acrescentar espiras é acrescentar fontes de fem em série — e cada fonte traz junto a sua própria resistência interna. A tensão e a resistência crescem no mesmo passo, e a razão entre elas, que é a corrente de curto, fica congelada.

É exatamente o que acontece com pilhas em série: duas pilhas dão o dobro da tensão, mas também o dobro da resistência interna — a corrente de curto-circuito não muda.

O erro que a alternativa E explora: dobrar o diâmetro do fio é a única mudança da lista que não aparece na fórmula da tensão. Quem escolhe E está pensando só na resistência e esqueceu de conferir o primeiro critério.

A ideia em uma frase: espiras a mais somam tensão e somam resistência na mesma proporção — por isso dobram VV sem mexer na corrente de curto.

Resposta: alternativa A.

Vídeo em breve

A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.

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