UPE 2023 (SSA 2) — questão 25 de Física

Enunciado em texto
Nas questões com respostas numéricas, considere o módulo da aceleração da gravidade como igual a , 1 kcal = 4,2 J, calor específico da água = 1 cal/g°C, calor latente de fusão da água cal/g, calor latente de vaporização da água cal/g, índice de refração do ar , e considere a constante universal dos gases ideais .
Uma casca esférica A de raio cm tem uma esfera maciça em seu interior de raio cm. Sabendo que o coeficiente de dilatação linear da casca esférica A é oito vezes menor que o coeficiente de dilatação linear da esfera B, podemos afirmar que, em um aquecimento do sistema inteiro de 27 K, o volume do espaço entre as esferas
[Figura: duas circunferências concêntricas; a maior é a casca A, de raio ; dentro dela, a esfera B (cinza), de raio .]
A) dobra.
B) quadruplica.
C) vai a zero.
D) reduz-se à metade.
E) não se altera.
(Enunciado e figura: SSA 2 — UPE 2023, Sistema Seriado de Avaliação — Universidade de Pernambuco.)
Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem à Universidade de Pernambuco (UPE).
Resolução comentada
O que a questão pede: o que acontece com o volume do vão entre a casca A e a esfera B quando tudo é aquecido.
Passo 1 — a cavidade dilata como se fosse cheia do material da casca. O espaço interno de A cresce com o coeficiente de A, como se fosse uma esfera maciça de A. Já B cresce com o próprio coeficiente. O volume do vão é a diferença:
Passo 2 — dilatação volumétrica de cada uma. Com :
Passo 3 — comparar. O raio de A é o dobro do de B, então o volume de A é vezes o de B: . E o coeficiente de B é 8 vezes o de A: . Logo:
Os dois aumentos são iguais. A cavidade cresce exatamente o mesmo volume que a esfera B, e o vão entre elas continua com o mesmo volume, qualquer que seja o aquecimento (os 27 K não entram na conta).
Conferindo: o fator 8 do volume (raio dobrado, ao cubo) compensa exatamente o fator 8 do coeficiente. É o mesmo princípio de um frasco que não transborda quando o líquido e o vidro têm .
Sobre a alternativa C (indicada no gabarito preliminar da UPE; o definitivo a trocou pela E): a física não sustenta “vai a zero”. Fazendo a conta exata, sem aproximação, com (e portanto ), o volume do vão é proporcional a
Os termos de primeira ordem em se cancelam (é o resultado do Passo 3), e o que sobra é uma redução minúscula, de segunda ordem. Para o vão chegar a zero, seria preciso , ou seja, e num aquecimento de 27 K, coeficientes centenas a milhares de vezes maiores que os de qualquer sólido (da ordem de ). Além disso, o enunciado nem dá o valor dos coeficientes, só a razão entre eles, e com só a razão a única conclusão possível é a da alternativa E.
⚠️ A armadilha: achar que, como B dilata 8 vezes “mais”, ela encosta na casca e o vão some (alternativa C). B tem coeficiente maior, mas volume 8 vezes menor; o aumento absoluto de volume é o mesmo para os dois.
A ideia em uma frase: a cavidade dilata como se fosse feita do material da casca; volume 8 vezes maior com coeficiente 8 vezes menor dá o mesmo aumento de volume.
Resposta: alternativa E (não se altera).
Vídeo em breve
A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.
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