UFSC 2012 — questão 23 de Física

Enunciado em texto
Incredible machine (máquina incrível) é a denominação dada para um jogo cujo objetivo é criar uma série de dispositivos, tecnicamente simples, mas em um padrão complexo para desempenhar uma tarefa simples como, por exemplo, abrir uma torneira. Neste jogo pode-se usar molas, fios, bolas, calhas, polias, etc. Com uma proposta semelhante, um professor de física criou uma Incredible machine para acionar um interruptor de luz, com o objetivo de explicar e demonstrar alguns conceitos físicos. O dispositivo segue a seguinte sequência: uma força puxa o bloco (1) que toca na esfera (2) que entra em movimento, descendo a rampa, e entra na caixa oca (3), e juntas acionam o interruptor de luz (4). Desconsidere qualquer tipo de atrito.
[Figura: legenda — 1: bloco de 2,0 kg; 2: esfera de 0,5 kg; 3: caixa oca, aberta no lado esquerdo, de 0,5 kg; 4: interruptor de luz. À esquerda, uma polia fixa presa no teto; o fio passa por ela, desce até uma polia móvel presa ao bloco 1, contorna essa polia e sobe até o teto, onde está preso; a outra ponta do fio, saindo da polia fixa, é puxada pela força F, inclinada para baixo e para a esquerda. A esfera 2 está no alto de uma rampa, a 4,05 m acima do nível do chão onde está o bloco 1; a rampa desce até um trecho horizontal, onde está a caixa 3, pendurada por uma haste de 2,0 m presa a um suporte acima dela. Uma posição inclinada da haste, formando um ângulo θ com a vertical, mostra a caixa encostando no interruptor 4.]
Em função do exposto, assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S).
(01) Para suspender o bloco (1), a força mínima necessária é de 20 N.
(02) A interação entre a esfera (2) e a caixa oca (3) pode ser classificada como uma colisão do tipo elástica, na qual existe a conservação da quantidade de movimento do sistema (esfera e caixa).
(04) A esfera (2) entra na caixa oca (3) com uma velocidade linear de 9,0 m/s, fazendo a caixa com a esfera atingir uma altura máxima de 1,01 m aproximadamente.
(08) A esfera (2) sai da caixa oca, após a mesma retornar à sua posição inicial com uma velocidade de 9,0 m/s, o que permite à esfera retornar à sua posição inicial no ponto mais alto da rampa.
(16) O conjunto esfera (2) e caixa (3) inicia um movimento circular com uma velocidade angular de 2,25 rad/s e, ao atingir a altura máxima, forma um ângulo θ de aproximadamente 60,0° com a vertical.
(32) A altura máxima atingida pelo conjunto esfera (2) e caixa oca (3) depende apenas da massa da esfera e da velocidade inicial da esfera.
(64) Para o bloco (1) ser suspenso em 4,05 m, a pessoa que aplica a força deve puxar 4,05 m do fio.
(Enunciado e figura: Vestibular UFSC 2012 — UFSC/COPERVE.)
Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Comissão Permanente do Vestibular (COPERVE).
Resolução comentada
O que a questão pede: analisar a talha que ergue o bloco e depois a sequência descida da esfera → colisão com a caixa → subida do conjunto. Use g = 10 m/s², o valor do formulário da prova.
Passo 1 — a polia móvel. O bloco (peso 20 N) está pendurado numa polia móvel sustentada por dois trechos do mesmo fio. Cada trecho puxa com a tração T, e a polia fixa só muda a direção do fio:
Em compensação, para o bloco subir h, cada um dos dois trechos tem de encurtar h: a pessoa puxa de fio.
Passo 2 — a esfera desce a rampa. Sem atrito, ela cai 4,05 m:
Passo 3 — a esfera entra na caixa. Elas seguem juntas: colisão perfeitamente inelástica. A quantidade de movimento se conserva:
Passo 4 — o conjunto sobe. Agora só o peso trabalha, e a energia se conserva:
(01) Falsa. Pelo Passo 1, basta 10 N (no limite, para subir com velocidade constante): a polia móvel divide o peso por dois.
(02) Falsa. A quantidade de movimento se conserva, sim, mas a esfera fica dentro da caixa: é colisão perfeitamente inelástica, com perda de energia cinética (de 20,25 J para 10,1 J).
(04) Verdadeira. Passos 2 e 4.
(08) Falsa. O conjunto volta à posição inicial com a mesma rapidez com que começou a subir, 4,5 m/s, e não 9,0 m/s: a energia cinética perdida na colisão não volta. E com 4,5 m/s a esfera só subiria m na rampa, longe do topo.
(16) Verdadeira. O conjunto começa a girar em torno do suporte, num círculo de raio 2,0 m:
Subindo 1,01 m, a haste de 2,0 m forma com a vertical um ângulo tal que
ou seja, (o formulário da prova dá ).
(32) Falsa. A velocidade logo após a colisão depende também da massa da caixa (), e a altura depende de g. Não é “apenas” massa e velocidade da esfera.
(64) Falsa. Pelo Passo 1, a pessoa puxa o dobro: 8,1 m de fio. A polia móvel reduz a força à metade, mas dobra o deslocamento (o trabalho é o mesmo).
⚠️ A armadilha: na (04), usar a conservação da energia mecânica através da colisão: com 9,0 m/s o conjunto subiria 4,05 m. Na colisão inelástica, só a quantidade de movimento se conserva; a energia, só antes e depois dela.
A ideia em uma frase: polia móvel: metade da força, o dobro do fio; e numa colisão em que os corpos grudam, usa-se a quantidade de movimento, nunca a energia.
Resposta: soma 20 (04 + 16).
Vídeo em breve
A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.
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