UFSC 2011 — questão 24 de Física

Gabarito 38Termodinâmica — transformações gasosas em gráficos p × V e p × T: trabalho, número de mols e primeira leiVestibular · Prova 2 · caderno amarelo (somatória)
Enunciado — imagem da prova
Enunciado da questão 24 de Física do UFSC 2011

Enunciado em texto

Os gráficos a seguir indicam quatro transformações gasosas distintas, com a pressão expressa em pascal, o volume em metros cúbicos e a temperatura em kelvin. Todas as transformações ocorreram no sentido de A para B.

[Gráficos: (I) p (10510^5) × V: curva descendente (como uma hipérbole) de A (V = 2; p = 4) até B (V = 4; p = 2). (II) p (10510^5) × V: curva descendente de A (V = 2; p = 4) até B (V = 4; p = 3). (III) p (10510^5) × V: segmento de reta de A (V = 4; p = 2) até B (V = 1; p = 5). (IV) p (10510^5) × T: segmento de reta de A (T = 200; p = 4) até B (T = 500; p = 6).]

Considere R = 0,080 atm.L/mol.K e assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S).

(01) O gráfico II indica uma transformação isotérmica e o gráfico IV indica uma transformação isocórica.

(02) Nos gráficos I e III, a curva representa a grandeza física ‘temperatura’ e a área abaixo da curva é numericamente igual ao trabalho associado à transformação gasosa.

(04) Admitindo que a temperatura do gás no gráfico I é de 400 K, podemos afirmar que, nesta porção de gás, temos aproximadamente 2,5⋅1042{,}5 \cdot 10^4 mols.

(08) No gráfico III, o trabalho associado à transformação gasosa vale 4,5⋅1054{,}5 \cdot 10^5 J.

(16) O gráfico IV indica uma transformação isocórica e o trabalho associado a esta transformação é zero, ou seja, não houve troca de energia com a vizinhança na forma de calor.

(32) No gráfico III, a temperatura do gás diminuiu, pois ele perdeu mais energia na forma de calor do que recebeu na forma de trabalho.

(64) Em todas as transformações podemos considerar o gás real como ideal se o gás estiver sendo submetido a altas temperatura e pressão.

(Enunciado e figura: Vestibular UFSC 2011 — UFSC/COPERVE.)

Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Comissão Permanente do Vestibular (COPERVE).

Resolução comentada

O que a questão pede: identificar cada transformação e usar pV=nRTpV = nRT, a área sob o gráfico p × V e a primeira lei.

Passo 1 — o produto pV em cada ponto (em 10510^5 Pa·m³), que é proporcional a T para uma dada porção de gás:

• I: A → 4 · 2 = 8; B → 2 · 4 = 8 (isotérmica);

• II: A → 4 · 2 = 8; B → 3 · 4 = 12 (T aumenta);

• III: A → 2 · 4 = 8; B → 5 · 1 = 5 (T diminui).

No gráfico IV, a reta de A até B não passa pela origem: p/Tp/T vale 4/200=0,0204/200 = 0{,}020 em A e 6/500=0,0126/500 = 0{,}012 em B. Como V∝T/pV \propto T/p, o volume aumenta: não é isocórica.

(01) Falsa. II não é isotérmica (pV passa de 8 para 12) e IV não é isocórica (p/T muda).

(02) Verdadeira. Pelo gabarito oficial. A segunda parte está certa: num gráfico p × V, a área sob a curva é numericamente igual ao trabalho. Na primeira, a banca entendeu que cada ponto da curva é um estado do gás com temperatura definida (T=pV/nRT = pV/nR), de modo que a curva “representa” a temperatura ao longo da transformação.

(04) Verdadeira. Pelo gabarito oficial, com os valores do ponto A do gráfico I (p=4⋅105p = 4 \cdot 10^5, V=2V = 2) aplicados diretamente em n=pV/RTn = pV/RT:

n=4⋅105⋅20,080⋅400n = \frac{4 \cdot 10^5 \cdot 2}{0{,}080 \cdot 400}

n=2,5⋅104 molsn = 2{,}5 \cdot 10^4\ \text{mols}

(08) Falsa. O trabalho é a área do trapézio sob a reta, entre V = 1 e V = 4:

∣τ∣=(2+5)⋅1052⋅3|\tau| = \frac{(2 + 5) \cdot 10^5}{2} \cdot 3

∣τ∣=10,5⋅105 J|\tau| = 10{,}5 \cdot 10^5\ \text{J}

E é negativo (compressão): τ=−1,05⋅106\tau = -1{,}05 \cdot 10^6 J. Os 4,5⋅1054{,}5 \cdot 10^5 J são só a área do triângulo acima de p = 2.

(16) Falsa. IV não é isocórica (Passo 1). E mesmo numa isocórica, trabalho zero não significa calor zero: nela Q=ΔUQ = \Delta U.

(32) Verdadeira. Em III, pV cai de 8 para 5: a temperatura diminui, ΔU<0\Delta U < 0. O gás é comprimido e recebe trabalho (τ=−1,05⋅106\tau = -1{,}05 \cdot 10^6 J). Pela primeira lei:

Q=ΔU+τ<0Q = \Delta U + \tau < 0

e ∣Q∣=∣ΔU∣+∣τ∣>∣τ∣|Q| = |\Delta U| + |\tau| > |\tau|: o calor perdido supera o trabalho recebido, e é por isso que a energia interna cai.

(64) Falsa. Um gás real se aproxima do ideal a baixa pressão (moléculas afastadas, interações desprezíveis) e alta temperatura. A alta pressão o afasta do comportamento ideal.

Atenção: a banca considerou verdadeiras a (02) e a (04), e as duas têm problemas. Na (02), a curva de um gráfico p × V mostra a pressão em função do volume; a temperatura não está representada no gráfico (só na isoterma I a curva corresponde a uma temperatura fixa). Na (04), a conta mistura unidades: o R dado está em atm·L/(mol·K), mas p entrou em pascal e V em metros cúbicos. Convertendo (4⋅1054 \cdot 10^5 Pa ≈ 4 atm; 2 m³ = 2000 L), sai n=8000/32=250n = 8000/32 = 250 mols, isto é, 2,5⋅1022{,}5 \cdot 10^2, cem vezes menos. Pela física, as duas seriam falsas e a soma correta seria 32; publicamos o gabarito oficial (38).

⚠️ A armadilha: a (08), calcular só o triângulo. A área que dá o trabalho vai da curva até o eixo V, e inclui o retângulo de altura 2⋅1052 \cdot 10^5 Pa.

A ideia em uma frase: no p × V, o produto pV acompanha a temperatura e a área até o eixo dá o trabalho; a primeira lei fecha a conta do calor.

Resposta: soma 38 (02 + 04 + 32).

Vídeo em breve

A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.

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