FUVEST 2010 — questão 6 de Física

Enunciado em texto
[Tirinha em quatro quadros. 1: Mafalda, ao lado de um globo terrestre sobre uma mesinha, pergunta: “ONDE NÓS ESTAMOS?”; atrás, o pai lê o jornal. 2: o pai aponta para a metade de baixo do globo: “AQUI, OLHA!”. 3: Mafalda, espantada: “MAS ENTÃO A GENTE ESTÁ DE CABEÇA PRA BAIXO!”; o pai responde: “É...”. 4: o quadro inteiro aparece de ponta-cabeça: a mesinha com o globo, o pai lendo o jornal e Mafalda, que diz: “PUXA VIDA! ACHO QUE DE HOJE EM DIANTE VOU ME SENTIR MUITO MAIS APEGADA A ESTE CHÃO!”.]
Fonte: Toda Mafalda. Quino. Martins Fontes, 1999.
A personagem Mafalda, que está em Buenos Aires, olha o globo em que o Norte está para cima e afirma: “a gente está de cabeça pra baixo”. Quem olha para o céu noturno dessa posição geográfica não vê a estrela Polar, referência do polo astronômico Norte, e sim o Cruzeiro do Sul, referência do polo astronômico Sul. Se os polos do globo de Mafalda estivessem posicionados de acordo com os polos astronômicos, ou seja, o polo geográfico Sul apontando para o polo astronômico Sul, seria correto afirmar que
a) o Norte do globo estaria para cima, o Sul para baixo e Mafalda estaria realmente de cabeça para baixo.
b) o Norte do globo estaria para cima e o Sul para baixo, mas Mafalda não estaria de cabeça para baixo por causa da gravidade.
c) o Norte do globo estaria para cima, o Sul para baixo, e quem estaria de cabeça para baixo seriam os habitantes do hemisfério norte.
d) o Sul do globo estaria para cima e o Norte para baixo, mas Mafalda estaria de cabeça para baixo por causa da gravidade.
e) o Sul do globo estaria para cima, o Norte para baixo e Mafalda não teria razão em afirmar que está de cabeça para baixo.
(Enunciado e figura: Vestibular FUVEST 2010, 1ª fase, prova V — Fuvest/USP.)
Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem à FUVEST.
Resolução comentada
O que a questão pede: como ficaria o globo se ele fosse orientado pelo céu que Mafalda vê, e se ela está mesmo “de cabeça para baixo”.
Passo 1 — o globo orientado pelo céu. De Buenos Aires, o polo celeste visível é o Sul, acima do horizonte, para o lado do Cruzeiro do Sul. O polo Norte celeste fica abaixo do horizonte. Apontando o polo Sul do globo para o polo Sul celeste, o Sul do globo fica para cima e o Norte para baixo.
Passo 2 — o que é “para baixo”. No espaço não existe um “em cima” absoluto. O “para baixo” de cada pessoa é o sentido do seu peso, ou seja, o sentido da força gravitacional, que aponta para o centro da Terra. Em qualquer lugar do planeta, os pés ficam do lado do centro da Terra e a cabeça para fora. Mafalda, em Buenos Aires, está tão “de pé” quanto alguém no hemisfério norte.
Passo 3 — juntar. Sul para cima, Norte para baixo, e Mafalda não tem razão: ela não está de cabeça para baixo. É a alternativa E.
Por que não as outras: (A), (B) e (C) mantêm o Norte para cima, que é só uma convenção dos mapas e globos, não a orientação pelo céu de Buenos Aires. (D) acerta o globo, mas a gravidade é justamente o que define o “para baixo”: ela não deixa ninguém de cabeça para baixo. (C) também erra ao dizer que alguém estaria de cabeça para baixo: ninguém está.
⚠️ A armadilha: a alternativa B. Ela tem a física certa (a gravidade define o “para baixo”), mas mantém o Norte para cima, contrariando a hipótese da questão, que manda alinhar o globo com os polos do céu.
A ideia em uma frase: “para baixo” é o sentido do peso, rumo ao centro da Terra; por isso ninguém, em hemisfério nenhum, vive de cabeça para baixo.
Resposta: alternativa E.
Vídeo em breve
A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.
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