ENEM 2016 — questão 86 de Física

Enunciado em texto
Pesquisadores recuperaram DNA de ossos de mamute (Mammuthus primigenius) encontrados na Sibéria, que tiveram sua idade de cerca de 28 mil anos confirmada pela técnica do carbono-14.
FAPESP. DNA de mamute é revelado. Disponível em: http://agencia.fapesp.br. Acesso em: 13 ago. 2012 (adaptado).
A técnica de datação apresentada no texto só é possível devido à
a) proporção conhecida entre carbono-14 e carbono-12 na atmosfera ao longo dos anos.
b) decomposição de todo o carbono-12 presente no organismo após a morte.
c) fixação maior do carbono-14 nos tecidos de organismos após a morte.
d) emissão de carbono-12 pelos tecidos de organismos após a morte.
e) transformação do carbono-12 em carbono-14 ao longo dos anos.
Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem ao ENEM.
Resolução comentada
A pergunta não é como se faz a conta da datação — é o que torna a datação POSSÍVEL. Ou seja: qual é a premissa sem a qual o método não funcionaria.
Como o carbono-14 entra no organismo. O ¹⁴C é produzido continuamente na alta atmosfera pelo bombardeio de raios cósmicos sobre o nitrogênio. Ele se mistura ao carbono comum (¹²C) e entra na cadeia alimentar pela fotossíntese. Enquanto o organismo está vivo, ele repõe carbono o tempo todo e mantém dentro de si a mesma proporção ¹⁴C/¹²C que existe na atmosfera.
O que acontece na morte. A reposição para. O ¹²C é estável e permanece; o ¹⁴C decai com meia-vida de 5 730 anos e diminui. A proporção começa a cair.
Por que a proporção atmosférica CONHECIDA é a chave. Para converter a proporção medida hoje em idade, é preciso saber de qual valor ela partiu. Esse valor de partida é a proporção da atmosfera — e o método só funciona porque essa proporção se manteve aproximadamente constante e conhecida ao longo dos milênios.
É a alternativa A. Sem ela, medir ¹⁴C/¹²C num osso não diria nada: seria como cronometrar uma corrida sabendo só o instante da chegada.
Por que as outras são falsas — e as quatro violam fatos básicos:
• B (decomposição de todo o ¹²C): o ¹²C é estável; ele não decai nunca. Se decaísse, seria justamente ele o relógio.
• C (fixação maior de ¹⁴C após a morte): organismo morto não fixa carbono nenhum. É exatamente a interrupção da fixação que inicia a contagem.
• D (emissão de ¹²C pelos tecidos): tecido morto não emite carbono seletivamente.
• E (transformação de ¹²C em ¹⁴C ao longo dos anos): isso ocorre na atmosfera, por raios cósmicos — não dentro do fóssil. Se ocorresse no osso, o relógio nunca andaria.
Uma conferência que a própria questão permite: o texto diz 28 mil anos, cerca de cinco meias-vidas. Restaria do ¹⁴C original — pouco, mas ainda mensurável. Está dentro do alcance do método, cujo limite prático é de ~50 mil anos. A idade citada é compatível com a técnica citada, e isso não é acaso: acima disso o INEP teria de usar outro isótopo.
A ideia em uma frase: o relógio do ¹⁴C só marca a hora porque se sabe em que hora ele foi acertado — e quem acerta é a atmosfera.
Resposta: alternativa A.
Vídeo em breve
A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.
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