FUVEST 2026 (2ª fase) — questão 3 de Física

Enunciado em texto
Proposto por Robert Stirling em 1816, o motor de Stirling, aplicado em conjunto com coletores solares de disco parabólico, tem sido utilizado na geração de energia elétrica a partir da energia solar. Dessa forma, ele oferece não apenas uma solução eficiente e sustentável à demanda energética, mas também reduzindo perdas na transmissão e impactos ambientais em relação a grandes usinas convencionais. O funcionamento desse motor compreende quatro etapas: aquecimento isovolumétrico, expansão isotérmica, resfriamento isovolumétrico e compressão isotérmica de um gás (assumido como ideal), conforme a figura a seguir.
(Gráfico: Pressão (vertical) contra Volume (horizontal), sem valores. Os pontos A e B estão no mesmo volume (o menor), com B acima de A; C e D estão no mesmo volume (o maior), com C acima de D. O ciclo é A → B (segmento vertical para cima), B → C (curva descendente, hipérbole superior, seta para a direita), C → D (segmento vertical para baixo) e D → A (curva descendente inferior, percorrida para a esquerda).)
Considerando os processos termodinâmicos mostrados na figura (A-B, B-C, C-D, D-A), responda:
a) Qual dos processos descreve a compressão isotérmica do ciclo de Stirling? Justifique a sua resposta.
b) Em qual(is) dos processos, o sistema recebeu calor da fonte quente? Justifique a sua resposta.
c) Coletores solares parabólicos apresentam taxa de conversão de energia solar em energia elétrica de, aproximadamente, 30%, com geração de potência elétrica em torno de 15 kW. Nessas condições, estime o valor da energia solar média (em joules) transferida ao coletor durante 1 hora.
(Enunciado e figura: Vestibular FUVEST 2026, 2ª fase — Fuvest/USP.)
Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem à FUVEST.
Resolução comentada
O que a questão pede: (a) qual trecho é a compressão isotérmica; (b) em quais trechos o gás recebe calor; (c) a energia solar que chega ao coletor em 1 hora.
Item (a) — compressão isotérmica é D-A. Nos trechos verticais (A-B e C-D) o volume não muda: são os isovolumétricos. Os curvos são as isotermas ( constante). Compressão é diminuição de volume: só o trecho D-A é percorrido no sentido do volume menor (da direita para a esquerda). É a isoterma de baixo, a de menor temperatura, como deve ser a compressão num motor.
Item (b) — usando a primeira lei, , com dependendo só da temperatura (gás ideal):
• A-B (aquecimento isovolumétrico): e a pressão sobe a volume constante, logo sobe e . Então : recebe calor.
• B-C (expansão isotérmica): e o gás se expande, . Então : recebe calor.
• C-D (resfriamento isovolumétrico): , cai, : cede calor.
• D-A (compressão isotérmica): , , : cede calor.
O gás recebe calor da fonte quente nas etapas A-B e B-C.
Item (c) — potência solar. A taxa de conversão é a razão entre a potência elétrica gerada e a potência solar recebida:
Item (c) — energia em 1 hora (3600 s):
⚠️ A armadilha: no item (c), multiplicar em vez de dividir pela eficiência: kW kW daria J. A energia solar que entra tem de ser maior que a elétrica que sai. No item (b), esquecer A-B: nele não há trabalho, mas o gás esquenta, e isso também exige calor.
A ideia em uma frase: no ciclo de Stirling o gás recebe calor no aquecimento a volume constante e na expansão isotérmica; energia de entrada = energia útil ÷ rendimento.
Resposta: (a) D-A: é isotérmica e nela o volume diminui; (b) A-B (, ) e B-C (, ); (c) kW, J.
Vídeo em breve
A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.
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