FUVEST 2025 (2ª fase) — questão 1 de Física

DiscursivaEnergia — experimento de Joule: tração, trabalho do peso e aquecimento do líquido2ª fase · 2º dia · Física (discursiva)
Enunciado — imagem da prova
Enunciado da questão 1 de Física do FUVEST 2025 (2ª fase)

Enunciado em texto

Em seu projeto para uma feira de ciências, uma estudante decide reproduzir o experimento histórico de Joule sobre o “equivalente mecânico do calor”. Ela então monta o aparato esquematizado na figura ao lado. No experimento, a estudante deixa cair um bloco preso a uma corda que passa por uma roldana e cujo movimento faz girar pás que agitam o líquido contido em um calorímetro termicamente isolado.

(Figura: um bloco pendurado numa corda vertical, com uma seta vermelha para baixo indicando a queda; a corda sobe até uma roldana presa ao teto e segue na horizontal até um carretel, no qual está enrolada. O carretel está preso a um eixo vertical que desce até pás mergulhadas no líquido de um calorímetro cilíndrico; uma seta curva indica o giro do carretel. Um termômetro atravessa a tampa e mergulha no líquido.)

a) O bloco, de massa igual a 5 kg, cai com velocidade praticamente constante. Qual é a força de tração na corda?

b) Suponha que o bloco caia até o chão, partindo de uma altura de 50 cm. Entre o início e o final da queda, determine o trabalho mecânico realizado pela força peso sobre o bloco e a variação da energia potencial gravitacional do sistema formado pelo bloco e pela Terra.

c) Suponha agora que o bloco seja substituído por outro e que, durante a queda desse novo bloco, a força peso atuando sobre ele realize um trabalho de módulo igual a 70 J. Suponha ainda que o líquido no calorímetro tenha massa de 10 kg, que seu calor específico seja de 2000 J kg−1^{-1} K−1^{-1} e que o termômetro utilizado pela estudante tenha precisão de 0,1 K. A estudante conseguirá medir a variação de temperatura do líquido provocada pela queda do bloco? Justifique a sua resposta.

Note e adote: Aceleração da gravidade: g = 10 m/s². Suponha que a corda seja inextensível e que a roldana tenha massa desprezível. Despreze todos os atritos, exceto a resistência do líquido ao movimento das pás. Despreze as dimensões do bloco.

(Enunciado e figura: Vestibular FUVEST 2025, 2ª fase — Fuvest/USP.)

Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem à FUVEST.

Resolução comentada

O que a questão pede: (a) a tração na corda quando o bloco cai com velocidade constante; (b) o trabalho do peso e a variação da energia potencial numa queda de 50 cm; (c) se um termômetro de precisão 0,1 K consegue registrar o aquecimento do líquido.

Item (a) — velocidade constante é equilíbrio. Se a velocidade não muda, a aceleração é zero e, pela primeira lei de Newton, a força resultante no bloco é nula. Só duas forças atuam nele: o peso (para baixo) e a tração (para cima). Então elas têm o mesmo módulo:

T=mg=5×10T = mg = 5 \times 10

T=50 NT = 50\ \text{N}

Item (b) — trabalho do peso. O peso e o deslocamento apontam ambos para baixo, então o trabalho é positivo e vale força vezes deslocamento, com h=50h = 50 cm =0,5= 0{,}5 m:

WP=mgh=50×0,5W_P = mgh = 50 \times 0{,}5

WP=25 JW_P = 25\ \text{J}

Item (b) — energia potencial. A energia potencial gravitacional do sistema bloco–Terra é mghmgh e diminui quando o bloco desce. A variação é sempre o oposto do trabalho do peso:

ΔEp=0−mgh=−WP\Delta E_p = 0 - mgh = -W_P

ΔEp=−25 J\Delta E_p = -25\ \text{J}

Item (c) — para onde vai a energia. Como o bloco cai com velocidade (praticamente) constante, a energia que o peso fornece não vira energia cinética: ela é toda entregue, pela corda e pelas pás, ao líquido, que é agitado contra a sua própria resistência. O calorímetro é isolado, então esses 70 J viram energia interna do líquido, como se fossem calor recebido:

W=Mc ΔTW = Mc\,\Delta T

70=10×2000×ΔT70 = 10 \times 2000 \times \Delta T

ΔT=7020 000\Delta T = \frac{70}{20\,000}

ΔT=3,5×10−3 K\Delta T = 3{,}5 \times 10^{-3}\ \text{K}

Item (c) — comparando com o termômetro. A variação é de 0,0035 K, cerca de 30 vezes menor que a menor variação que o termômetro registra (0,1 K). Não, a estudante não conseguirá medir essa variação de temperatura. (Para medir algo, ela precisaria de muito mais energia, por exemplo deixando o bloco cair várias vezes, como o próprio Joule fazia.)

⚠️ A armadilha: no item (b), dar a mesma resposta com o mesmo sinal para as duas grandezas. O trabalho do peso é +25 J, mas a energia potencial diminui: ΔEp=−25\Delta E_p = -25 J. No item (c), esquecer que o calor específico está em J/(kg·K) e usar a massa em gramas, o que dá um ΔT\Delta T mil vezes menor (o erro não muda a conclusão aqui, mas costuma custar pontos em outras questões).

A ideia em uma frase: o trabalho do peso vira energia interna do líquido; com 70 J em 10 kg de líquido, o aquecimento é de milésimos de kelvin, pequeno demais para um termômetro de 0,1 K.

Resposta: (a) T=50T = 50 N; (b) trabalho do peso =+25= +25 J e ΔEp=−25\Delta E_p = -25 J; (c) não: ΔT=70/(10×2000)=3,5×10−3\Delta T = 70/(10 \times 2000) = 3{,}5 \times 10^{-3} K, muito menor que a precisão de 0,1 K.

Vídeo em breve

A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.

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