UNIFESP 2023 — questão 11 de Física

DiscursivaCinemática e Energia — lançamento oblíquo de um morro (conservação da energia)Conhecimentos Específicos (discursiva) · 2º dia
Enunciado — imagem da prova
Enunciado da questão 11 de Física do UNIFESP 2023

Enunciado em texto

Uma bola de 0,4 kg é chutada com velocidade inicial V0=20V_0 = 20 m/s do ponto A, na encosta de um morro, e, depois de descrever um arco de parábola no ar, toca novamente a encosta desse morro no ponto C, que está verticalmente 15 m abaixo do ponto A. No percurso do ponto A ao ponto C, a bola atinge o ponto B, ponto mais alto de sua trajetória, conforme mostra a figura.

(Figura: a encosta de um morro desce da esquerda para a direita. A bola está no ponto A, no alto da encosta; dela sai a seta V0V_0, inclinada de 30° acima da horizontal. A trajetória tracejada é um arco de parábola que sobe até o ponto B, o mais alto, e desce até o ponto C, mais à direita, de novo sobre a encosta. A cota h marca a distância vertical entre o nível de A e o nível de B; uma cota de 15 m marca a distância vertical entre o nível de A e o nível de C.)

Sabendo que, no momento do chute, a velocidade inicial da bola está inclinada de 30º com a horizontal, desprezando a resistência do ar e adotando g=10 m/s2g = 10\ \text{m/s}^2, calcule:

a) a energia cinética da bola, em joules, imediatamente após o chute e imediatamente antes de tocar o solo, no ponto C.

b) a distância vertical h, em metros, entre o ponto A e o ponto B. Em seguida, calcule o tempo, em segundos, para que a bola vá do ponto A ao ponto C.

(Enunciado e figura: Vestibular Unifesp 2023, Conhecimentos Específicos — Unifesp/Vunesp.)

Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e à Fundação VUNESP.

Resolução comentada

O que a questão pede: a energia cinética da bola na saída (A) e na chegada (C); depois, quanto ela sobe acima de A e quanto tempo fica no ar.

Item (a) — energia cinética em A: é só usar a velocidade do chute.

EA=m v022=0,4×2022E_A = \frac{m\,v_0^2}{2} = \frac{0{,}4 \times 20^2}{2}

EA=80 JE_A = 80\ \text{J}

Item (a) — energia cinética em C: sem resistência do ar, só o peso realiza trabalho, e a energia mecânica se conserva. Tomando o nível de C como referência, a bola em A tem, além dos 80 J de energia cinética, energia potencial mghmgh com h = 15 m. Em C a energia potencial é zero, então tudo isso virou energia cinética:

EC=EA+m g hAE_C = E_A + m\,g\,h_A

EC=80+0,4×10×15E_C = 80 + 0{,}4 \times 10 \times 15

EC=80+60=140 JE_C = 80 + 60 = 140\ \text{J}

Item (b) — a altura h: separe o movimento em duas direções. Na horizontal, a velocidade é constante; na vertical, o movimento é uniformemente variado, com aceleração g para baixo. A componente vertical inicial é:

v0y=v0 sen 30∘=20×0,5=10 m/sv_{0y} = v_0\,\text{sen}\,30^\circ = 20 \times 0{,}5 = 10\ \text{m/s}

No ponto mais alto, B, a componente vertical da velocidade é zero. Pela equação de Torricelli na vertical:

0=v0y2−2 g h0 = v_{0y}^2 - 2\,g\,h

h=1022×10=5 mh = \frac{10^2}{2 \times 10} = 5\ \text{m}

Item (b) — o tempo de A até C: ponha o eixo y vertical, para cima, com origem no nível de C. Então a bola parte de y = 15 m, com v0y=10v_{0y} = 10 m/s, e chega a C quando y = 0:

y=15+10 t−5 t2y = 15 + 10\,t - 5\,t^2

0=15+10 t−5 t20 = 15 + 10\,t - 5\,t^2

t2−2 t−3=0t^2 - 2\,t - 3 = 0

(t−3)(t+1)=0  ⇒  t=3 s(t - 3)(t + 1) = 0 \;\Rightarrow\; t = 3\ \text{s}

A raiz t = −1 s não tem sentido físico (é antes do chute).

Conferindo por partes: a subida até B dura t1=v0y/g=1t_1 = v_{0y}/g = 1 s. De B, a bola cai 5 + 15 = 20 m partindo com velocidade vertical nula: 20=5 t2220 = 5\,t_2^2, então t2=2t_2 = 2 s. Total: 1 + 2 = 3 s.

Conferindo h pela energia: em B só sobra a componente horizontal, vx=20cos⁡30∘=103v_x = 20 \cos 30^\circ = 10\sqrt{3} m/s, e a energia cinética lá é 0,2×300=600{,}2 \times 300 = 60 J. Os 80 − 60 = 20 J que faltam viraram energia potencial: 0,4×10×h=200{,}4 \times 10 \times h = 20, h = 5 m.

⚠️ A armadilha: calcular o tempo de voo como “o dobro do tempo de subida”, 2 s. Isso é o tempo para a bola voltar ao nível de A; como C está 15 m abaixo, ela ainda cai mais 1 s. Outro erro comum é dizer que a energia cinética em C é a mesma de A, esquecendo os 15 m de queda.

A ideia em uma frase: no lançamento oblíquo, a vertical manda no tempo e na altura; e, sem atrito com o ar, a energia que a bola ganha na descida é exatamente mgh.

Resposta: (a) 80 J logo após o chute e 140 J imediatamente antes de tocar o solo em C; (b) h = 5 m e o tempo de A até C é 3 s.

Vídeo em breve

A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.

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