UNIFESP 2018 — questão 11 de Física

Enunciado em texto
Um avião bombardeiro sobrevoa uma superfície plana e horizontal, mantendo constantes uma altitude de 500 m e uma velocidade de 100 m/s. Fixo no solo, um canhão antiaéreo será disparado com a intenção de acertar o avião. Considere que o avião e o canhão estejam contidos em um mesmo plano vertical, despreze a resistência do ar e adote .
(Figura: um avião voa para a direita, com a seta “100 m/s”, sobre uma linha horizontal tracejada; uma seta vertical marca “500 m” do solo até essa linha. No solo, à frente do avião (à direita), está o canhão antiaéreo, apontado para cima.)
a) Quantos metros antes da vertical que passa pelo canhão o piloto do avião deve abandonar uma bomba para acertá-lo no solo?
b) Considere que o canhão não tenha sido atingido pela bomba e que, na tentativa de acertar o avião, um artilheiro dispare desse canhão um projétil com velocidade inicial , exatamente no momento em que o avião passa verticalmente sobre ele. Desprezando as dimensões do avião e considerando que o avião não altere sua velocidade, qual o mínimo valor de para que o artilheiro tenha sucesso?
(Enunciado e figura: Vestibular Unifesp 2018, Conhecimentos Específicos — Unifesp/Vunesp.)
Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e à Fundação VUNESP.
Resolução comentada
O que a questão pede: (a) a distância horizontal, antes do canhão, em que a bomba deve ser solta; (b) a menor velocidade de disparo do projétil para que ele alcance o avião.
Item (a) — a bomba sai com a velocidade do avião. Ao ser abandonada, a bomba não “para”: ela tem, na horizontal, os mesmos 100 m/s do avião. Sem resistência do ar, o movimento se separa em dois: na horizontal, uniforme; na vertical, queda livre a partir do repouso.
Passo 1 — o tempo de queda, que depende só da altura:
Passo 2 — o avanço horizontal nesse tempo:
A bomba deve ser solta 1 000 m antes da vertical do canhão. Ela cai sempre exatamente embaixo do avião.
Item (b) — a componente horizontal do projétil. No disparo, o avião está bem em cima do canhão. Para o projétil encontrar o avião, os dois têm de estar na mesma posição horizontal no mesmo instante. O avião anda 100 m/s; o projétil, sem resistência do ar, mantém a componente horizontal constante. Logo, ela tem de ser igual à do avião:
Assim, o projétil fica o tempo todo exatamente embaixo do avião, e só falta subir até ele.
Passo 2 — a componente vertical mínima. O projétil precisa chegar a 500 m de altura. O menor é o que o leva até lá com velocidade vertical zerando bem nessa altura (o encontro acontece no ponto mais alto da trajetória). Por Torricelli na vertical:
Passo 3 — compor as duas componentes (elas são perpendiculares):
Como as duas componentes são iguais, o disparo é feito a 45° com a horizontal.
Conferindo: o projétil leva s para subir, e nesse tempo o avião e o projétil andam, os dois, 1 000 m na horizontal. Encontro no alto, a 500 m.
⚠️ A armadilha: no item (a), imaginar que a bomba cai em linha reta vertical (aí ela seria solta sobre o canhão) ou usar os 100 m/s do avião como velocidade inicial da queda; o critério oficial zera essas resoluções. No item (b), responder só 100 m/s: isso é uma componente, não a velocidade do projétil.
A ideia em uma frase: sem resistência do ar, horizontal e vertical são independentes: na horizontal tudo acompanha o avião, e a vertical decide o tempo de queda ou a altura alcançada.
Resposta: (a) 1 000 m antes da vertical do canhão (queda de 10 s); (b) m/s (componentes de 100 m/s na horizontal e na vertical).
Vídeo em breve
A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.
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