UFU 2011-2 — questão 17 de Física

Gabarito AnuladaTermologia — dilatação linear da Ponte Golden Gate com temperaturas em FahrenheitProcesso Seletivo 2011-2 · 1ª fase · Prova Objetiva · Tipo 1
Enunciado — imagem da prova
Enunciado da questão 17 de Física do UFU 2011-2

Enunciado em texto

Ligando as cidades de San Francisco e Sausalito, na Califórnia, EUA, há a Ponte Golden Gate, uma das obras de engenharia mais conhecidas do mundo, com 2.373m de comprimento. Considere que o metal com o qual ela foi feita possui coeficiente de dilatação linear de 1,2×10−51{,}2 \times 10^{-5} ºC⁻¹ e que as temperaturas nessa localidade dos Estados Unidos variam, mensalmente, conforme a tabela a seguir:

MêsT. mínima (ºF)T. máxima (ºF)
Jan.4658
Fev.4961
Mar.4962
Abr.5065
Mai.5165
Jun.5368
Jul.5468
Ago.5669
Set.5671
Out.5570
Nov.5164
Dez.4759

[Foto: a Ponte Golden Gate, uma ponte pênsil, vista de lado sobre a baía, com uma das torres em primeiro plano.]

Fonte: National Oceanic and Atmospheric Administration, EUA, 22 de Junho de 2010.

A partir de tais informações, assinale a alternativa correta.

A) A dilatação linear máxima da ponte será maior no mês de março que em junho.

B) Nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, a ponte sofrerá uma dilatação linear máxima de 34 cm.

C) Caso se quisesse que a ponte sofresse dilatações lineares menores, seria recomendado que, em sua construção, em vez do atual metal, fosse empregado somente chumbo, cujo coeficiente de dilatação linear é 27×10−627 \times 10^{-6} ºC⁻¹.

D) A estrutura dessa ponte deve prever que, nos meses de abril, junho, setembro e outubro, ela irá se dilatar até o máximo de 23 cm.

(Enunciado e figura: Processo Seletivo UFU 2011-2, 1ª fase — Universidade Federal de Uberlândia.)

Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem à Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e à sua Diretoria de Processos Seletivos (DIRPS/UFU).

Resolução comentada

O que a questão pede: calcular a variação de comprimento da ponte entre a mínima e a máxima de cada mês, convertendo as variações de temperatura de Fahrenheit para Celsius.

Passo 1 — variação em °F para °C. Entre o gelo (32 °F) e a água fervente (212 °F) há 180 divisões Fahrenheit e 100 Celsius. Para variações de temperatura:

ΔTC=59 ΔTF\Delta T_C = \frac{5}{9}\,\Delta T_F

Passo 2 — a dilatação por grau. Para a ponte inteira:

L0 α=2373⋅1,2×10−5L_0\,\alpha = 2373 \cdot 1{,}2 \times 10^{-5}

L0 α≈0,0285 m/∘CL_0\,\alpha \approx 0{,}0285\ \text{m}/{}^{\circ}\text{C}

Ou seja, cerca de 2,85 cm por grau Celsius de variação.

Passo 3 — alternativa A. Março: 49 °F a 62 °F, variação de 13 °F. Junho: 53 °F a 68 °F, variação de 15 °F. Junho tem a maior variação (e também a maior temperatura máxima). Errada.

Passo 4 — alternativa B. Dezembro (47 a 59), janeiro (46 a 58) e fevereiro (49 a 61) têm, cada um, variação de 12 °F:

ΔT=59⋅12≈6,7 ∘C\Delta T = \frac{5}{9} \cdot 12 \approx 6{,}7\ {}^{\circ}\text{C}

ΔL≈0,0285⋅6,7≈0,19 m\Delta L \approx 0{,}0285 \cdot 6{,}7 \approx 0{,}19\ \text{m}

Cerca de 19 cm por mês (mesmo juntando os três meses, de 46 °F a 61 °F, dá 15 °F e uns 24 cm). Os 34 cm só aparecem se os 12 °F forem usados como se fossem 12 °C: 0,0285⋅12≈0,340{,}0285 \cdot 12 \approx 0{,}34 m. Errada.

Passo 5 — alternativa C. O chumbo tem α=27×10−6\alpha = 27 \times 10^{-6} °C⁻¹, mais que o dobro dos 12×10−612 \times 10^{-6} °C⁻¹ do metal atual: dilataria mais, não menos. Errada.

Passo 6 — alternativa D. Abril (50 a 65), junho (53 a 68), setembro (56 a 71) e outubro (55 a 70) têm, todos, variação de 15 °F:

ΔT=59⋅15≈8,33 ∘C\Delta T = \frac{5}{9} \cdot 15 \approx 8{,}33\ {}^{\circ}\text{C}

ΔL=2373⋅1,2×10−5⋅8,33\Delta L = 2373 \cdot 1{,}2 \times 10^{-5} \cdot 8{,}33

ΔL≈0,237 m=23,7 cm\Delta L \approx 0{,}237\ \text{m} = 23{,}7\ \text{cm}

Esta é claramente a alternativa pensada como certa: os quatro meses foram escolhidos por terem a mesma amplitude, e a conta dá “23 cm” se os decimais forem cortados.

Onde está o defeito: a dilatação máxima calculada é de 23,7 cm, ou seja, quase 24 cm. Dizer que a ponte “irá se dilatar até o máximo de 23 cm” subestima o valor, justamente o erro que um projeto de estrutura não pode cometer. Além disso, o enunciado não diz em relação a que temperatura os 2.373 m foram medidos, de modo que “dilatação linear máxima” fica dependendo de uma interpretação (aqui, a variação entre a mínima e a máxima de cada mês). Sem nenhuma alternativa rigorosamente correta, a anulação é justificável.

⚠️ A armadilha: usar a variação em °F direto na fórmula, como se fosse em °C. Uma variação de 1 °F é só 5/9 de 1 °C; é esse erro que fabrica os 34 cm da alternativa B.

A ideia em uma frase: antes de usar ΔL = L₀αΔT, converta a variação de temperatura para a escala do coeficiente: ΔT em °C = 5/9 de ΔT em °F.

Resposta: questão anulada pela UFU no gabarito oficial definitivo. Pela física, a alternativa pretendida é a D (variação de 15 °F ≈ 8,3 °C nos quatro meses, ΔL ≈ 23,7 cm), mas “até o máximo de 23 cm” fica abaixo do valor calculado, e o enunciado não define a temperatura de referência do comprimento; nenhuma alternativa fica rigorosamente correta.

Vídeo em breve

A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.

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