UFSC 2018 — questão 22 de Física

Gabarito 24Estática — tirolesa: equilíbrio na roldana, tração na corda e ponto de equilíbrioVestibular · Prova 2 · caderno amarelo (somatória)
Enunciado — imagem da prova
Enunciado da questão 22 de Física do UFSC 2018

Enunciado em texto

Para chegar ao local de acampamento em Santo Amaro da Imperatriz, Pedro, Tiago e João decidem atravessar um rio. Então resolvem reproduzir uma situação do episódio “Montanhas da Georgia”, do programa de sobrevivência “À Prova de Tudo”, apresentado por Bear Grylls. Eles sabem que a massa de Pedro é 58,0 kg, a de Tiago é 60,0 kg e a de João é 62,0 kg. Decidem, então, improvisar uma tirolesa com a roldana e a corda de 15,0 m que levaram, cuja tensão de ruptura é 630 N.

[Figura: um rio entre duas margens, cada uma com uma árvore. A corda está amarrada no tronco da árvore da esquerda e no da árvore da direita; a distância horizontal entre os troncos é 12 m. O ponto de amarração da direita está 2,6 m abaixo do da esquerda. Uma linha tracejada vertical marca o início da margem direita, a 8 m (na horizontal) da árvore da esquerda. Tiago desce pendurado na roldana, sobre o rio; Pedro e João esperam na margem esquerda.]

Com base na figura e nos dados acima, é correto afirmar que:

(01) a corda não suporta o peso de João.

(02) a distância vertical entre os pontos nos quais a corda está amarrada nas árvores em cada margem é de 2,6 m, mas o valor mínimo da distância vertical para Pedro atravessar o rio é 1,0 m.

(04) a distância percorrida por Tiago até o ponto de equilíbrio não é suficiente para que alcance a margem oposta do rio.

(08) quando Tiago chega à posição de equilíbrio, a tensão na corda é 600 N.

(16) reduzindo-se o tamanho da corda, a tensão seria maior.

(Enunciado e figura: Vestibular UFSC 2018 — UFSC/COPERVE.)

Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Comissão Permanente do Vestibular (COPERVE).

Resolução comentada

O que a questão pede: achar onde a roldana para (o ponto de equilíbrio) e quanto a corda é tracionada nesse ponto.

Passo 1 — a geometria do equilíbrio. Numa roldana ideal a tração é a mesma dos dois lados. No equilíbrio, as componentes horizontais das trações se anulam, então os dois trechos fazem o mesmo ângulo α com a horizontal. Somando as projeções horizontais dos dois trechos (comprimentos L1+L2=15L_1 + L_2 = 15 m):

15cos⁡α=1215\cos\alpha = 12

cos⁡α=0,8⇒sen α=0,6\cos\alpha = 0{,}8 \Rightarrow \text{sen}\,\alpha = 0{,}6

Passo 2 — a tração. Na vertical, as duas metades da corda sustentam o peso:

2 T sen α=mg⇒T=mg1,22\,T\,\text{sen}\,\alpha = m g \Rightarrow T = \frac{m g}{1{,}2}

TTiago=6001,2=500 NT_{\text{Tiago}} = \frac{600}{1{,}2} = 500\ \text{N}

TJoa˜o=6201,2≈517 NT_{\text{João}} = \frac{620}{1{,}2} \approx 517\ \text{N}

Passo 3 — onde fica o ponto de equilíbrio. Sejam x1x_1 e x2x_2 as distâncias horizontais do ponto de equilíbrio às árvores da esquerda e da direita (x1+x2=12x_1 + x_2 = 12). Com tg α=0,75\text{tg}\,\alpha = 0{,}75, a roldana fica 0,75 x10{,}75\,x_1 abaixo da amarração da esquerda e 0,75 x20{,}75\,x_2 abaixo da da direita; como a da direita está 2,6 m mais baixa:

0,75 (x1−x2)=2,60{,}75\,(x_1 - x_2) = 2{,}6

x1−x2≈3,47 mx_1 - x_2 \approx 3{,}47\ \text{m}

x1≈7,73 mx_1 \approx 7{,}73\ \text{m}

A margem oposta começa a 8 m da árvore da esquerda.

(01) Falsa. Com João a tração é cerca de 517 N, abaixo dos 630 N de ruptura.

(02) Falsa. Para o ponto de equilíbrio cair sobre a margem (x1=8x_1 = 8 m, x2=4x_2 = 4 m), o desnível teria de ser

Δh=0,75 (8−4)=3,0 m\Delta h = 0{,}75\,(8 - 4) = 3{,}0\ \text{m}

e não 1,0 m. Repare que esse ponto não depende da massa: vale o mesmo para Pedro, Tiago ou João.

(04) Falsa. Segundo a banca, Tiago alcança a margem oposta. Pela geometria do passo 3, porém, o ponto de equilíbrio fica a cerca de 7,73 m da árvore da esquerda, uns 27 cm antes dos 8 m em que começa a margem direita (veja o Atenção abaixo).

(08) Verdadeira. Segundo a banca, a tensão vale 600 N, o peso de Tiago. Pelo passo 2, com sen α = 0,6, cada trecho da corda puxa com 500 N; os 600 N são a soma das componentes verticais dos dois trechos, que equilibra o peso.

Atenção: o gabarito oficial é coerente com cada trecho da corda formando 30° com a horizontal. Com sen 30° = 0,5, a tração seria T=mg/(2⋅0,5)=mg=600T = mg/(2 \cdot 0{,}5) = mg = 600 N; e, com tg 30° ≈ 0,58, o passo 3 daria x1−x2≈4,5x_1 - x_2 \approx 4{,}5 m e x1≈8,25x_1 \approx 8{,}25 m, além dos 8 m: Tiago alcançaria a margem. Mas a corda de 15 m num vão de 12 m impõe cos α = 12/15 = 0,8 (α ≈ 37°, e não 30°). Com os dados da prova, o julgamento correto seria (04) verdadeira e (08) falsa, com soma 20 (04 + 16). Publicamos o gabarito oficial.

(16) Verdadeira. Com a corda mais curta, cos⁡α=12/L\cos\alpha = 12/L aumenta, o ângulo α diminui e sen α também. Como T=mg/(2 sen α)T = mg/(2\,\text{sen}\,\alpha), a tração aumenta: corda mais esticada, tração maior.

⚠️ A armadilha: na (16), achar que a corda mais curta, “mais firme”, fica menos tensionada. É o contrário: quanto mais esticada, mais horizontais ficam os trechos, menor a componente vertical de cada um e maior a tração necessária para sustentar o mesmo peso.

A ideia em uma frase: na roldana em equilíbrio os dois trechos fazem o mesmo ângulo; daí sai a tração, T=mg/(2 sen α)T = mg/(2\,\text{sen}\,\alpha), e o ponto onde a roldana para.

Resposta: soma 24 (08 + 16).

Vídeo em breve

A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.

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