UECE 2023.1 — questão 41 de Física

Enunciado em texto
A Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) promove anualmente dois eventos educacionais: a Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA) e a Mostra Brasileira de Foguetes (MOBFOG). A MOBFOG é uma olimpíada inteiramente experimental e tem como um de seus objetivos a construção e o lançamento, de forma oblíqua, de foguetes a partir de uma base de lançamento. Os foguetes e suas bases de lançamento são confeccionados de forma individual ou em equipes com até três componentes que, em geral, fazem uso de material de baixo custo. Durante um evento da MOBFOG, duas equipes resolveram adotar como estratégia de competição a utilização, em seus lançamentos, de foguetes de mesma massa, mesma velocidade de lançamento e ângulos de lançamento complementares, ou seja, uma vez conhecido o ângulo de lançamento de uma das equipes, a equipe rival utilizará o complementar desse ângulo. Desprezando-se a resistência do ar e considerando que os foguetes utilizados pelas duas equipes tenham dimensões desprezíveis, é correto dizer que
A) os foguetes terão alcances diferentes.
B) o tempo de permanência no ar é o mesmo para os dois foguetes.
C) o foguete com maior ângulo de lançamento possui maior energia cinética na altura máxima.
D) a soma das alturas máximas atingidas pelos foguetes independe dos ângulos de lançamento.
(Enunciado: Vestibular UECE 2023.1, 1ª fase — CEV/UECE.)
Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem à Universidade Estadual do Ceará (UECE) e à sua Comissão Executiva do Vestibular (CEV/UECE).
Resolução comentada
O que a questão pede: comparar dois lançamentos com a mesma velocidade v₀ e ângulos θ e 90° − θ. Lembre: sen(90° − θ) = cos θ e cos(90° − θ) = sen θ.
Passo 1 — alcance. Sem resistência do ar, o alcance horizontal é
Trocando θ por 90° − θ, o ângulo 2θ vira 180° − 2θ, que tem o mesmo seno. Os alcances são iguais: (A) é falsa.
Passo 2 — tempo no ar. O tempo de voo depende só da componente vertical da velocidade:
Para o outro foguete, fica . Só são iguais se θ = 45°. Em geral, o de ângulo maior fica mais tempo no ar: (B) é falsa.
Passo 3 — energia cinética no topo. Na altura máxima sobra só a velocidade horizontal, , que é menor para o ângulo maior. Então quem sobe mais inclinado tem menos energia cinética no topo: (C) é falsa.
Passo 4 — soma das alturas máximas. A altura máxima é
Para o ângulo complementar, troca-se o seno pelo cosseno. Somando:
O resultado não tem θ: a soma não depende dos ângulos. (D) é a correta.
Conferindo pela energia: é a altura que um foguete atingiria lançado na vertical. Faz sentido: a parte vertical da velocidade de um é a parte horizontal da do outro, e as duas “alturas de subida” juntas recompõem a subida vertical inteira.
⚠️ A armadilha: a (B). Quem decorou que “ângulos complementares dão o mesmo alcance” tende a estender a igualdade para o tempo de voo. Não vale: o foguete mais inclinado sobe mais e demora mais; ele empata no alcance porque anda mais devagar na horizontal.
A ideia em uma frase: com ângulos complementares, seno e cosseno trocam de papel: o alcance (que depende de sen θ·cos θ) empata, e a soma das alturas (sen² + cos²) dá sempre v₀²/2g.
Resposta: alternativa D.
Vídeo em breve
A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.
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