PUC-SP 2022 (Parte B) — questão 9 de Física

DiscursivaDinâmica — movimento circular no funil (resultante centrípeta)Vestibular de Verão · Parte B (resposta aberta)
Enunciado — imagem da prova
Enunciado da questão 9 de Física do PUC-SP 2022 (Parte B)

Enunciado em texto

Em uma aula prática de Física, o professor coloca uma bolinha de gude no interior de um funil e envolve o sistema com um saco plástico para aumentar a segurança. A seguir, ele movimenta o funil em torno de seu eixo vertical de simetria, num movimento circular, mantendo constante a velocidade angular. Ele demonstra aos alunos que, devido à força centrípeta, a bolinha também passa a girar, com a mesma velocidade angular, na superfície interna do funil mantendo constante sua distância ao eixo vertical de simetria do funil. Considerando que a inclinação da parede do funil em relação ao plano horizontal vale ϕ, o módulo da aceleração da gravidade vale g e a distância do centro da bolinha ao eixo vertical vale x, determine a frequência (f) de rotação do funil.

(Figura: à esquerda, fotografia de uma bolinha azul dentro de um funil branco envolto em saco plástico (https://aulanapratica.wordpress.com/category/demonstracao/ Acesso em: 17 out. 2021.). À direita, "Vista de perfil do experimento": as paredes do funil em forma de V, com o eixo vertical tracejado no centro; a bolinha encostada na parede esquerda, a uma distância horizontal x (seta tracejada vermelha) do eixo; o ângulo ϕ marcado entre a parede direita e a horizontal tracejada que passa pelo vértice.)

(Enunciado e figura: Vestibular PUC-SP 2022 — PUC-SP.)

Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Resolução comentada

O que a questão pede: a frequência de rotação, em função de x, g e ϕ, para a bolinha girar sem subir nem descer na parede do funil.

Passo 1 — as forças na bolinha. Desprezando o atrito, agem o peso mgmg (vertical, para baixo) e a normal N da parede, perpendicular a ela. Como a parede faz ângulo ϕ com a horizontal, a normal faz ângulo ϕ com a vertical, inclinada para o eixo.

Passo 2 — vertical: equilíbrio. A bolinha não sobe nem desce:

Ncos⁡ϕ=mgN \cos\phi = m g

Passo 3 — horizontal: resultante centrípeta. A componente horizontal da normal aponta para o eixo e faz o papel de força centrípeta no círculo de raio x:

Nsin⁡ϕ=m ω2xN \sin\phi = m\,\omega^2 x

Passo 4 — dividir uma pela outra. A normal e a massa se cancelam:

tan⁡ϕ=ω2xg⇒ω=gtan⁡ϕx\tan\phi = \frac{\omega^2 x}{g} \Rightarrow \omega = \sqrt{\frac{g\tan\phi}{x}}

Passo 5 — a frequência. Como ω=2πf\omega = 2\pi f:

f=12πg tan⁡ϕxf = \frac{1}{2\pi}\sqrt{\frac{g\,\tan\phi}{x}}

A banca escreve a mesma resposta na forma f=[2πxg tg ϕ]−1f = \left[2\pi\sqrt{\frac{x}{g\,\text{tg}\,\phi}}\right]^{-1}.

Conferindo: as unidades batem (g/xg/x tem unidade de s−2\text{s}^{-2}, e a raiz dá s−1\text{s}^{-1}). E faz sentido: quanto mais inclinada a parede (ϕ maior), maior a frequência necessária.

⚠️ A armadilha: decompor o peso ao longo da parede, como num plano inclinado, e escrever N=mgcos⁡ϕN = mg\cos\phi. Aqui a bolinha não está em equilíbrio: a aceleração é horizontal (centrípeta), por isso quem se equilibra é a componente vertical da normal com o peso.

A ideia em uma frase: no funil, a normal faz dois serviços: sua parte vertical segura o peso e sua parte horizontal é a força centrípeta; daí tan⁡ϕ=ω2x/g\tan\phi = \omega^2 x/g.

Resposta: f=12πg tan⁡ϕxf = \dfrac{1}{2\pi}\sqrt{\dfrac{g\,\tan\phi}{x}}.

Vídeo em breve

A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.

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