FUVEST 2027 — questão 54 de Física

Enunciado em texto
Existe um conflito fundamental na cosmologia contemporânea sobre a taxa de expansão do universo, conhecido como a “Tensão de Hubble”. Ao ler um artigo de divulgação científica sobre o tema, um estudante descobriu que dois métodos científicos robustos e confiáveis apresentam resultados discrepantes para o valor dessa taxa, conhecida como Constante de Hubble ():
- Método A (Abordagem Teórica Fundamental): Baseia-se em deduções matemáticas estritas a partir das leis fundamentais da física aplicadas ao modelo cosmológico padrão. Utilizando como ponto de partida a Radiação Cósmica de Fundo em Micro-ondas (o eco do universo primitivo), esse método calcula, teoricamente, que km/s/Mpc.
- Método B (Abordagem Observacional Empírica): Baseia-se puramente em dados observacionais diretos do universo local e tardio. Medindo a distância e o afastamento real de objetos cósmicos, como estrelas variáveis Cefeidas e supernovas do tipo Ia, esse método fornece, empiricamente, km/s/Mpc.
O artigo conclui que essa discrepância não configura um simples erro de calibração ou cálculo, mas sim de uma “crise na cosmologia” que pode exigir o desenvolvimento de uma “Nova Física” para reconciliar os modelos teóricos fundamentais com as observações práticas.
Com base na interpretação dessas informações e nos princípios da divulgação científica confiável, assinale a alternativa que apresenta a análise mais coerente sobre a consistência dos argumentos e a natureza dos dados apresentados.
(A) A conclusão de que existe uma “crise na cosmologia” é um exagero dos cientistas, pois a diferença entre 67 e 73 é pequena e seria correto usar a média aritmética entre os dois valores.
(B) O método A é o único correto porque cálculos matemáticos não falham. O método B, por sua vez, deve ser descartado por ser baseado apenas em “olhar para o céu”, um processo sujeito a erros humanos e opiniões dos astrônomos.
(C) A existência de uma “tensão” sugere que o Modelo Padrão da Cosmologia pode estar incompleto, indicando que a ciência avança justamente por meio da identificação de lacunas entre previsões teóricas (método A) e observações diretas (método B).
(D) O texto perde sua credibilidade científica ao sugerir uma “Nova Física”, visto que as leis da natureza são imutáveis e qualquer diferença de dados deve ser interpretada como falha humana ou instrumental.
(E) A expansão do universo é um fenômeno teórico que não pode ser validado por medidas diretas. Dessa forma, não há relevância na abordagem observacional empírica, o que invalida o método B.
(Enunciado: Vestibular FUVEST 2027, 1ª fase — Prova V1 — FUVEST.)
Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem à FUVEST.
Resolução comentada
O que a questão pede: a leitura cientificamente coerente de um conflito entre um valor calculado pela teoria e um valor medido por observação.
Olhe as margens de erro. Método A: , ou seja, entre 66,9 e 67,9. Método B: , entre 71,3 e 74,7. Os intervalos não se sobrepõem. Por isso a diferença não é “pequena”: com essas incertezas, os dois resultados não podem estar certos ao mesmo tempo dentro do mesmo modelo.
Como a ciência lida com isso. Teoria e observação se testam mutuamente. Quando uma previsão bem feita discorda de uma medida bem feita, isso indica que o modelo pode estar incompleto. Foi assim, por exemplo, com a órbita de Mercúrio, que a gravitação de Newton não explicava e a Relatividade Geral explicou.
Analisando as alternativas:
- (A) Errada. Tirar a média esconde o problema; as margens de erro mostram que a discrepância é real.
- (B) Errada. A matemática pode estar certa e o modelo a que ela é aplicada estar incompleto; e observação é a base empírica da ciência, não “opinião”.
- (C) Correta. A tensão aponta uma lacuna entre previsão (A) e observação (B), e é por esse tipo de lacuna que a ciência avança.
- (D) Errada. As leis podem ser as mesmas, mas o conhecimento que temos delas é revisável; propor nova física diante de dados robustos é legítimo.
- (E) Errada. A expansão é medida diretamente: pelo afastamento das galáxias (desvio para o vermelho) e por suas distâncias.
A ideia em uma frase: quando teoria e medida discordam além das margens de erro, o modelo é que precisa ser revisto — é assim que a ciência avança.
Resposta: alternativa C.
Vídeo em breve
A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.
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