UFU 2017-2 — questão 16 de Física

Gabarito BDinâmica — distância mínima de frenagem com atrito estáticoProcesso Seletivo 2017-2 · 1ª fase · Prova Objetiva · Tipo 1
Enunciado — imagem da prova
Enunciado da questão 16 de Física do UFU 2017-2

Enunciado em texto

Ao se projetar uma rodovia e seu sistema de sinalização, é preciso considerar variáveis que podem interferir na distância mínima necessária para um veículo parar, por exemplo. Considere uma situação em que um carro trafega a uma velocidade constante por uma via plana e horizontal, com determinado coeficiente de atrito estático e dinâmico e que, a partir de um determinado ponto, aciona os freios, desacelerando uniformemente até parar, sem que, para isso, tenha havido deslizamento dos pneus do veículo. Desconsidere as perdas pelas resistência do ar e o atrito entre os componentes mecânicos do veículo. A respeito da distância mínima de frenagem, nas situações descritas, são feitas as seguintes afirmações:

I. Ela aumenta proporcionalmente à massa do carro.

II. Ela é inversamente proporcional ao coeficiente de atrito estático.

III. Ela não se relaciona com a aceleração da gravidade local.

IV. Ela é diretamente proporcional ao quadrado da velocidade inicial do carro.

Assinale a alternativa que apresenta apenas afirmativas corretas.

A) I e II

B) II e IV

C) III e IV

D) I e III

(Enunciado: Processo Seletivo UFU 2017-2, 1ª fase — Universidade Federal de Uberlândia.)

Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem à Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e à sua Diretoria de Processos Seletivos (DIRPS/UFU).

Resolução comentada

O que a questão pede: descobrir de que grandezas depende a menor distância em que o carro consegue parar sem derrapar.

Passo 1 — qual atrito freia o carro. Os pneus não deslizam no asfalto: o ponto de contato fica momentaneamente parado em relação ao chão. Então a força que freia o carro é o atrito estático, e a frenagem mais curta possível acontece quando ele chega ao valor máximo, μeN\mu_e N. Na via horizontal, N=mgN = mg:

Fmaˊx=μe m gF_{\text{máx}} = \mu_e\,m\,g

Passo 2 — a maior desaceleração. Pela segunda lei de Newton, a massa se cancela:

amaˊx=μe m gm=μe ga_{\text{máx}} = \frac{\mu_e\,m\,g}{m} = \mu_e\,g

Passo 3 — a distância (Torricelli). O carro sai de v0v_0 e chega a zero com desaceleração constante:

0=v02−2 a d0 = v_0^2 - 2\,a\,d

dmıˊn=v022 μe gd_{\text{mín}} = \frac{v_0^2}{2\,\mu_e\,g}

Passo 4 — julgando as afirmações pela fórmula:

I. A massa não aparece: carro mais pesado precisa de mais força para parar, mas também tem mais atrito disponível, e as duas coisas se compensam. Falsa.

II. dd é proporcional a 1/μe1/\mu_e: dobrando o coeficiente de atrito estático, a distância cai pela metade. Verdadeira.

III. gg está no denominador: numa gravidade menor (na Lua, por exemplo), a normal e o atrito máximo são menores, e a distância aumenta. Falsa.

IV. dd é proporcional a v02v_0^2: dobrando a velocidade, a distância quadruplica. Verdadeira.

Conferindo: corretas II e IV, alternativa B.

⚠️ A armadilha: usar o coeficiente de atrito dinâmico porque “o carro está se movendo”. Enquanto o pneu rola sem deslizar, o atrito com o chão é estático; o dinâmico só entra se as rodas travarem e o carro derrapar (e aí a distância fica maior, porque em geral μd<μe\mu_d < \mu_e, que é a ideia do freio ABS).

A ideia em uma frase: a frenagem mínima sem derrapar é d = v₀²/(2μₑg): não depende da massa, cai com o atrito e com a gravidade e cresce com o quadrado da velocidade.

Resposta: alternativa B (II e IV).

Vídeo em breve

A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.

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