UFSC 2017 — questão 28 de Física

Enunciado em texto
Nos Jogos Olímpicos Rio 2016, a seleção brasileira de vôlei obteve a medalha de ouro após doze anos da última conquista, com uma vitória de 3 sets a 0 sobre a Itália. O saque Viagem, popularizado pelos jogadores brasileiros na Olimpíada de 1984, foi de fundamental importância para o alto desempenho da equipe. Na figura abaixo, uma sequência de imagens ilustra a execução de um saque Viagem, com indicação da posição do jogador e da posição correspondente da bola em diversos instantes de tempo. O jogador lança a bola, cuja massa é de 0,3 kg, com velocidade horizontal de 4,0 m/s e entra em contato novamente com ela a uma altura de 3,50 m acima do solo, no instante 2,2 s. Esse contato dura apenas 0,02 s, mas projeta a bola com velocidade de módulo V = 20 m/s.
[Figura: sequência de posições do jogador ao longo de um eixo “Tempo (Segundos)” marcado de 0.0 a 2.2, de 0,2 em 0,2 s. O jogador corre segurando a bola e a solta no instante 1.0 s, com o braço estendido, a uma altura de 2,0 m (linha tracejada horizontal, cota “2,0 m” à esquerda). A bola aparece em sete posições, uma a cada 0,2 s, de 1.0 s a 2.2 s: sobe em arco, passa pelo ponto mais alto entre 1.6 e 1.8 s e desce até a mão do jogador, que salta e a golpeia no instante 2.2 s. Depois do golpe, a bola sai com velocidade V = 20 m/s numa direção inclinada 10° abaixo da horizontal, para a direita.]
Adaptado de MACKENZIE et al., Journal of Applied Biomechanics, 28, p. 579-586, 2012.
Com base na figura e nos dados acima, é correto afirmar que:
(01) o módulo da força média de interação da mão do jogador com a bola é maior que o módulo da força média de interação da bola com a mão do jogador.
(02) o módulo da velocidade vertical da bola no momento em que o jogador entra em contato novamente com ela é de 3,5 m/s.
(04) a força média de interação da mão do jogador com a bola na direção horizontal é de aproximadamente 234 N.
(08) a força média de interação da mão do jogador com a bola na direção vertical é nula.
(16) o trabalho realizado sobre a bola durante a interação é de aproximadamente 54,23 J.
(Enunciado e figura: Vestibular UFSC 2017 — UFSC/COPERVE.)
Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Comissão Permanente do Vestibular (COPERVE).
Resolução comentada
O que a questão pede: reconstruir o voo da bola entre o lançamento e o golpe e depois aplicar o teorema do impulso e o do trabalho ao golpe.
Passo 1 — o voo da bola. Na figura, a bola aparece solta em sete posições, uma a cada 0,2 s: a primeira, junto à mão estendida do jogador e na altura da linha tracejada de 2,0 m, é a do instante 1,0 s; a última é a do golpe, a 3,50 m, em t = 2,2 s. O voo dura, portanto, 1,2 s. Na vertical, com g = 10 m/s² (formulário da prova):
Ou seja, no instante do golpe a bola desce a cerca de 4,75 m/s e anda para a frente a 4,0 m/s.
Passo 2 — a velocidade depois do golpe. V = 20 m/s, 10° abaixo da horizontal. Com o cos 10° = 0,98 e o sen 10° = 0,17 do formulário:
Passo 3 — a força média horizontal (teorema do impulso, ):
Passo 4 — na vertical. A velocidade vertical passa de −4,75 para −3,4 m/s; a resultante vertical média é
para cima. Como o peso (3 N) também age, a mão faz, na vertical, cerca de 20 + 3 = 23 N para cima.
Passo 5 — o trabalho no golpe (teorema da energia cinética). Antes, ; depois, :
(01) Falsa. Ação e reação: as forças mão-bola e bola-mão têm sempre o mesmo módulo (terceira lei de Newton).
(02) Falsa. Passo 1: a bola chega à mão descendo a cerca de 4,75 m/s. Os 3,5 m/s aparecem quando se conta um voo de 1,0 s, a partir do instante 1,2 s, mas a bola já está solta em t = 1,0 s.
(04) Verdadeira. Passo 3: cerca de 234 N.
(08) Falsa. A componente vertical é pequena, mas não é nula: cerca de 23 N para cima (ou 20 N de resultante, mesmo desprezando o peso).
(16) Verdadeira. Passo 5: o trabalho da mão sobre a bola é cerca de 54,2 J. (Durante os 0,02 s do contato, o trabalho do peso é desprezível: a bola quase não se desloca na vertical.)
⚠️ A armadilha: ler o instante do lançamento como 1,2 s. Com 1,0 s de voo sai exatamente o 3,5 m/s da (02), e o trabalho daria cerca de 55,8 J; contando as posições da bola, o voo é de 1,2 s. Na (04), outro tropeço: só a variação da componente horizontal (de 4,0 para 19,6 m/s) entra no impulso.
A ideia em uma frase: decomponha as velocidades antes e depois do golpe: o impulso em cada direção é a massa vezes a variação daquela componente.
Resposta: soma 20 (04 + 16).
Vídeo em breve
A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.
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