PUC-Campinas 2011 — questão 50 de Física

Gabarito AEletrodinâmica — velocidade de arrasto dos elétrons num fio de cobreVestibular 2011 · Prova Geral (todos os cursos)
Enunciado — imagem da prova
Enunciado da questão 50 de Física do PUC-Campinas 2011

Enunciado em texto

Um fio de cobre, que apresenta boa condução de eletricidade, tem diâmetro de 3,5 mm e está sendo percorrido por corrente elétrica de intensidade 4,0 A. Considere que há nesse fio 9,0⋅10219{,}0 \cdot 10^{21} elétrons livres por cm3\text{cm}^3 e que a carga elétrica de um elétron vale 1,6⋅10−191{,}6 \cdot 10^{-19} C. A distância percorrida por um desses elétrons livres, em uma hora, é de aproximadamente, em metros

(A) 1,0

(B) 10

(C) 1,0⋅1021{,}0 \cdot 10^2

(D) 1,0⋅1031{,}0 \cdot 10^3

(E) 1,0⋅1041{,}0 \cdot 10^4

(Enunciado: Vestibular PUC-Campinas 2011, Prova Geral — PUC-Campinas.)

Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem à Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas).

Resolução comentada

O que a questão pede: quanto um elétron livre avança ao longo do fio em uma hora, isto é, a velocidade média de arrasto vezes 3 600 s.

Passo 1 — a relação entre corrente e velocidade dos elétrons. Em um intervalo Δt\Delta t, passam por uma seção do fio todos os elétrons contidos num cilindro de comprimento v Δtv\,\Delta t e área A. Sendo n o número de elétrons por volume:

i=n e A vi = n\,e\,A\,v

Passo 2 — os dados no SI. Em 1 cm³ = 10−610^{-6} m³ há 9,0×10219{,}0 \times 10^{21} elétrons:

n=9,0×1027 m−3n = 9{,}0 \times 10^{27}\ \text{m}^{-3}

O raio é 1,75 mm:

A=π (1,75×10−3)2A = \pi\,(1{,}75 \times 10^{-3})^2

A≈9,6×10−6 m2A \approx 9{,}6 \times 10^{-6}\ \text{m}^2

Passo 3 — a velocidade:

n e A≈9,0×1027×1,6×10−19n\,e\,A \approx 9{,}0 \times 10^{27} \times 1{,}6 \times 10^{-19}

× 9,6×10−6\times\ 9{,}6 \times 10^{-6}

n e A≈1,4×104 A⋅s/mn\,e\,A \approx 1{,}4 \times 10^4\ \text{A}\cdot\text{s/m}

v=4,01,4×104≈2,9×10−4 m/sv = \frac{4{,}0}{1{,}4 \times 10^4} \approx 2{,}9 \times 10^{-4}\ \text{m/s}

Passo 4 — em uma hora:

d=2,9×10−4×3 600≈1,0 md = 2{,}9 \times 10^{-4} \times 3\,600 \approx 1{,}0\ \text{m}

Conferindo: o resultado surpreende, mas está certo: os elétrons livres avançam bem devagar no fio (frações de milímetro por segundo). O que se propaga rápido é o campo elétrico que os põe em movimento, e por isso a lâmpada acende quase no instante em que se liga o interruptor.

⚠️ A armadilha: esquecer de converter cm³ para m³ (fator 10610^6) ou usar o diâmetro no lugar do raio na área (que fica 4 vezes maior). Com o diâmetro, sai d ≈ 0,26 m; sem a conversão de volume, sai um valor um milhão de vezes maior. Nenhum dos dois bate com as alternativas, o que já é um aviso de que a conta foi errada.

A ideia em uma frase: a corrente é n e A vn\,e\,A\,v; com tantos elétrons livres por volume, basta uma velocidade minúscula, e em uma hora cada elétron anda só cerca de 1 m.

Resposta: alternativa A (cerca de 1,0 m).

Vídeo em breve

A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.

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