UNESP 2025 (2ª fase) — questão 20 de Física

DiscursivaÓptica — lente divergente: raios notáveis, foco e equação de Gauss2ª fase · Conhecimentos Específicos · Física (discursiva)
Enunciado — imagem da prova
Enunciado da questão 20 de Física do UNESP 2025 (2ª fase)

Enunciado em texto

A figura mostra uma vela acesa diante de uma lente esférica feita de vidro, com centro óptico O, imersa no ar, e alguns raios de luz emitidos pela chama dessa vela, antes e depois de incidirem sobre a lente.

(Figura: a lente esférica é uma linha vertical; o eixo principal é horizontal e cruza a lente no centro óptico O. A vela está à esquerda, a 45 cm da lente (cota horizontal da vela até O); o topo da chama está a 18318\sqrt{3} cm acima do eixo principal. Da ponta da chama saem três raios para a lente: (1) o mais alto chega à lente acima do eixo e, depois dela, sobe, afastando-se do eixo; (2) o do meio chega à lente formando 30° com a horizontal (ângulo marcado junto à lente) e emerge paralelo ao eixo principal; o prolongamento desse raio incidente, tracejado, continua à direita da lente, descendo até cruzar o eixo principal; (3) o mais baixo passa por O e segue sem desvio, descendo. A região entre os raios emergentes está sombreada e se abre à direita da lente. Indicação "fora de escala".)

Considere tg 30° = 33\frac{\sqrt{3}}{3} e admita que essa lente obedeça às condições de nitidez de Gauss.

a) Essa lente apresenta comportamento óptico convergente ou divergente? A imagem dessa vela, conjugada por essa lente, pode ser projetada sobre um anteparo? Responda e justifique suas respostas com base nas trajetórias dos raios mostradas na figura e no fato de a imagem conjugada ser real ou virtual.

b) Qual a distância, em cm, da imagem dessa vela, conjugada por essa lente, ao centro óptico da lente?

(Enunciado e figura: Vestibular Unesp 2025, 2ª fase — Unesp/Vunesp.)

Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem à Universidade Estadual Paulista (Unesp) e à Fundação VUNESP.

Resolução comentada

O que a questão pede: (a) classificar a lente e dizer se a imagem é real (projetável) ou virtual; (b) a distância da imagem até o centro óptico.

Item (a) — convergente ou divergente? Olhe o raio (2): ele chega à lente apontando para um ponto do eixo do outro lado (o tracejado mostra para onde ele iria) e sai paralelo ao eixo. Esse é o raio notável da lente divergente: raio que incide na direção do foco imagem sai paralelo ao eixo. Os outros raios confirmam: depois da lente, eles se afastam do eixo principal (o raio de cima, que descia, passa a subir), e o feixe emergente se abre.

Item (a) — dá para projetar a imagem? Não. Depois da lente os raios divergem e nunca se cruzam; quem se cruza são os prolongamentos deles, para trás, do lado da vela. Imagem formada por prolongamentos é virtual, e imagem virtual não pode ser projetada num anteparo. (Ela fica entre a vela e a lente; para "pegar" a luz ali, o anteparo teria de ficar no caminho, entre a vela e a lente.)

Item (b) — a distância focal, pela geometria. O raio (2) sai da ponta da chama, a 18318\sqrt{3} cm de altura, e desce a 30° até, prolongado, cruzar o eixo no foco F, que está à distância ∣f∣|f| à direita da lente. Na horizontal, da vela até F, são 45+∣f∣45 + |f|:

tg 30∘=18345+∣f∣\text{tg } 30^{\circ} = \frac{18\sqrt{3}}{45 + |f|}

33=18345+∣f∣\frac{\sqrt{3}}{3} = \frac{18\sqrt{3}}{45 + |f|}

45+∣f∣=54⇒∣f∣=9 cm45 + |f| = 54 \Rightarrow |f| = 9\ \text{cm}

Como a lente é divergente, f=−9f = -9 cm.

Item (b) — a equação de Gauss. Com p=45p = 45 cm:

1f=1p+1p′\frac{1}{f} = \frac{1}{p} + \frac{1}{p^{\prime}}

−19=145+1p′-\frac{1}{9} = \frac{1}{45} + \frac{1}{p^{\prime}}

1p′=−545−145=−645\frac{1}{p^{\prime}} = -\frac{5}{45} - \frac{1}{45} = -\frac{6}{45}

p′=−7,5 cmp^{\prime} = -7{,}5\ \text{cm}

O sinal negativo confirma: imagem virtual, do mesmo lado da vela. A distância ao centro óptico é 7,5 cm.

Conferindo: o raio (2) atinge a lente a 183−45⋅33=3318\sqrt{3} - 45 \cdot \frac{\sqrt{3}}{3} = 3\sqrt{3} cm de altura e sai horizontal; prolongado para trás, ele passa pela ponta da imagem, que então tem altura 333\sqrt{3} cm. Por semelhança de triângulos (raio pelo centro O), p′=45⋅33183=7,5p^{\prime} = 45 \cdot \frac{3\sqrt{3}}{18\sqrt{3}} = 7{,}5 cm. A banca aceitou esse caminho também.

⚠️ A armadilha: usar o ângulo de 30° só com os 45 cm, como se o foco estivesse na lente ou na vela: tg 30∘=183/45\text{tg } 30^{\circ} = 18\sqrt{3}/45 é falso (dá ≈0,69\approx 0{,}69). O cateto horizontal vai da vela até o foco, do outro lado da lente. E quem trata a lente como convergente (f=+9f = +9 cm) chega a p′=11,25p^{\prime} = 11{,}25 cm, uma imagem real que a figura desmente.

A ideia em uma frase: raio que mira o foco do outro lado e sai paralelo é assinatura de lente divergente, e lente divergente com objeto real só dá imagem virtual.

Resposta: (a) divergente: os raios emergentes se afastam do eixo principal (o raio que incide na direção do foco sai paralelo ao eixo); a imagem é virtual, formada pelos prolongamentos dos raios, e não pode ser projetada num anteparo; (b) 7,5 cm (f=−9f = -9 cm, p′=−7,5p^{\prime} = -7{,}5 cm).

Vídeo em breve

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