ACAFE 2026 (Inverno) — questão 35 de Física

Gabarito BOndas — nível sonoro em decibéis e leitura de audiogramaVestibular de Medicina — Inverno · Física
Enunciado — imagem da prova
Enunciado da questão 35 de Física do ACAFE 2026 (Inverno)

Enunciado em texto

O ouvido humano é um sistema biológico altamente especializado, cujo estudo e diagnóstico das alterações auditivas são atribuições da Otorrinolaringologia. Estruturas como o ouvido externo, o ouvido médio e o ouvido interno, onde se localiza o labirinto, atuam de forma integrada para que as ondas sonoras sejam captadas, transmitidas e convertidas em sinais nervosos. Nesse processo, características físicas do som, como frequência e nível sonoro, estão diretamente associadas à percepção de sons graves ou agudos e fracos ou intensos.

Na prática médica, essa capacidade é avaliada por meio da audiometria tonal limiar, exame que determina o menor nível sonoro necessário para que sons de diferentes frequências sejam percebidos pelo indivíduo. Do ponto de vista físico, a audiometria fundamenta-se na propagação de ondas sonoras e na utilização da escala de decibéis, que expressa níveis sonoros de forma logarítmica. Alterações estruturais ou funcionais do sistema auditivo, como o dano acústico por disparo, o cerúmen incrustado e a otosclerose, produzem padrões distintos de resposta auditiva, representados em audiogramas.

O gráfico a seguir apresenta audiogramas correspondentes a essas três condições clínicas. No eixo horizontal está representada a frequência do som, em hertz (Hz). Embora seja denominado como perda auditiva, o eixo vertical do gráfico indica o quanto o nível sonoro deve ser acrescido, em relação à faixa auditiva considerada normal, para que o som seja percebido pelo indivíduo.

[Figura 6: audiograma. Eixo horizontal: “Frequência (Hz)”, com as marcas 125, 250, 500, 1000, 2000, 4000 e 8000 igualmente espaçadas (e mais uma coluna, sem rótulo, depois de 8000). Eixo vertical: “Perda audição - audtações (dB)”, de −10 no alto a 80 embaixo, de 10 em 10 (a perda cresce para baixo). Legenda: “Faixa auditiva normal” (tracejado fino, horizontal em 0 dB); “Dano por disparo” (linha cheia); “Cerúmen incrustado” (traço e ponto); “Otosclerose” (pontilhado; no gráfico, o rótulo aparece como “Otosclerosis”). Valores aproximados lidos nas curvas: dano por disparo: cerca de 5 dB em 125 Hz, 10 em 250, 3 em 500, 9 em 1000 e 14 pouco antes de 2000; aí cai bruscamente até 60 dB em 4000 Hz e volta a cerca de 52 dB em 8000 Hz e 40 dB no fim do gráfico. Cerúmen incrustado: cerca de 36 dB em 125 Hz, 25 em 250, 20 em 500, 23 entre 500 e 1000, 19 em 2000, 22 em 4000, 27 em 8000 e 34 no fim. Otosclerose: quase reta, de cerca de 55 dB em 125 Hz a 50 em 500, 45 em 2000, 42 em 4000, 39 em 8000 e 37 no fim.]

FIGURA 6

Com base na análise do gráfico (Figura 6) e nos conceitos físicos envolvidos, analise as afirmações.

I. Para a frequência de 4 kHz, o indivíduo com dano por disparo necessita de um nível sonoro maior que aquele com otosclerose, indicando maior comprometimento auditivo, nessa faixa de frequência.

II. Na frequência de 500 Hz, a diferença observada entre os valores indicados para o cerúmen incrustado e para a otosclerose é de aproximadamente 30 unidades, o que indica que a intensidade sonora mínima necessária para percepção, no primeiro caso, é cerca de 30 vezes maior que no segundo.

III. Na frequência de 8 kHz, a diferença entre os valores indicados para o dano por disparo e para a otosclerose sugere que a intensidade sonora mínima necessária para a percepção do som, no primeiro caso, é aproximadamente 10 vezes maior que no segundo.

IV. Na frequência de 4 kHz, compreendida na faixa associada à fala humana, o gráfico indica que o dano por disparo compromete mais, severamente, a percepção sonora que o cerúmen incrustado, exigindo níveis sonoros mais elevados para a detecção do estímulo.

V. A análise do gráfico permite concluir que a perda auditiva associada ao cerúmen incrustado apresenta comportamento, aproximadamente, uniforme ao longo das frequências analisadas.

Assinale a alternativa CORRETA.

A) Apenas 2 afirmações são verdadeiras.

B) Apenas 3 afirmações são verdadeiras.

C) Apenas 4 afirmações são verdadeiras.

D) Todas as afirmações são verdadeiras.

(Enunciado e figura: Vestibular de Medicina ACAFE — Inverno 2026, Física — ACAFE.)

Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem à Associação Catarinense das Fundações Educacionais (ACAFE).

Resolução comentada

O que a questão pede: ler o audiograma em algumas frequências e traduzir diferenças em decibéis para razões de intensidade.

Passo 1 — decibel é logaritmo. Pelo formulário, N=10log⁡(I/I0)N = 10\log(I/I_0). A diferença entre dois níveis dá a razão entre as intensidades:

ΔN=10log⁡IaIb\Delta N = 10 \log\frac{I_a}{I_b}

IaIb=10ΔN/10\frac{I_a}{I_b} = 10^{\Delta N/10}

Então 10 dB a mais é 10 vezes a intensidade; 20 dB, 100 vezes; 30 dB, 1000 vezes. Lembre também que, no gráfico, quanto mais para baixo, maior a perda (mais nível sonoro é preciso para ouvir).

Passo 2 — afirmação I (4 kHz). Dano por disparo: cerca de 60 dB; otosclerose: cerca de 42 dB. O dano por disparo exige nível maior. Verdadeira.

Passo 3 — afirmação II (500 Hz). Cerúmen: cerca de 20 dB; otosclerose: cerca de 50 dB. A diferença de 30 dB está certa, mas a frase erra duas vezes: 30 dB não é 30 vezes, é 103=100010^{3} = 1000 vezes; e quem precisa de mais intensidade é a otosclerose (o segundo caso), não o cerúmen. Falsa.

Passo 4 — afirmação III (8 kHz). Dano por disparo: cerca de 50 dB (a curva passa um pouco abaixo de 50); otosclerose: cerca de 40 dB. Diferença de uns 10 dB, a mais para o dano por disparo:

IdanoIoto≈1010/10=10\frac{I_{\text{dano}}}{I_{\text{oto}}} \approx 10^{10/10} = 10

Verdadeira: a diferença de cerca de 10 dB corresponde a um fator 10 na intensidade, que é justamente o contraponto correto do erro da afirmação II.

Passo 5 — afirmação IV (4 kHz). Dano por disparo: 60 dB; cerúmen: cerca de 22 dB. O dano por disparo exige quase 40 dB a mais, perto de 10410^{4} vezes a intensidade. E 4 kHz está dentro da faixa de frequências importantes para a fala (cerca de 250 Hz a 4 kHz). Verdadeira.

Passo 6 — afirmação V. A curva do cerúmen não é horizontal: começa em cerca de 36 dB em 125 Hz, sobe até cerca de 20 dB em 500 Hz, oscila entre 19 e 23 dB até 4000 Hz e volta a descer para 27 dB em 8000 Hz e cerca de 34 dB no fim. A perda varia uns 15 a 17 dB conforme a frequência; em intensidade, isso é um fator de cerca de 30 a 50:

1016/10≈4010^{16/10} \approx 40

Uma perda que exige, numa frequência, dezenas de vezes mais intensidade que em outra não é uniforme: o gráfico mostra uma curva em arco, com perda maior nos graves e nos agudos e menor nas frequências médias. Falsa, na leitura da banca.

Onde está a ambiguidade: “aproximadamente uniforme” é subjetivo; comparada à curva do dano por disparo (de 3 dB a 60 dB), a do cerúmen parece plana, e há quem a chame assim, mas a banca considerou a variação de 15 a 17 dB grande demais para isso.

Conferindo: verdadeiras I, III e IV; falsas II e V: três afirmações, alternativa B.

⚠️ A armadilha: ler a escala de decibéis como se fosse linear, achando que 30 dB de diferença significam 30 vezes a intensidade (afirmação II). Na escala logarítmica, cada 10 dB multiplicam a intensidade por 10. E aceitar a curva do cerúmen como uniforme leva a quatro verdadeiras, a alternativa C.

A ideia em uma frase: no audiograma, mais para baixo é ouvir pior; e cada 10 dB de diferença valem um fator 10 na intensidade.

Resposta: alternativa B (três verdadeiras: I, III e IV).

Vídeo em breve

A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.

Prefere navegar prova por prova? Abra esta questão no Filatte Resolve.

Outras questões de Física do ACAFE 2026 (Inverno)

Gabarito e resolução de todas as questões de Física do ACAFE 2026 (Inverno) →

Mais questões de Ondas e oscilações, de todas as bancas, resolvidas passo a passo. Ver todos os assuntos →