ENEM 2005 — questão 62 de Física

Gabarito AFísica moderna — radioatividade e o lixo nuclearProva objetiva · Prova 1 (Amarela)
Enunciado — imagem da prova
Enunciado da questão 62 de Física do ENEM 2005

Enunciado em texto

Um problema ainda não resolvido da geração nuclear de eletricidade é a destinação dos rejeitos radiativos, o chamado “lixo atômico”. Os rejeitos mais ativos ficam por um período em piscinas de aço inoxidável nas próprias usinas antes de ser, como os demais rejeitos, acondicionados em tambores que são dispostos em áreas cercadas ou encerrados em depósitos subterrâneos secos, como antigas minas de sal. A complexidade do problema do lixo atômico, comparativamente a outros lixos com substâncias tóxicas, se deve ao fato de

a) emitir radiações nocivas, por milhares de anos, em um processo que não tem como ser interrompido artificialmente.

b) acumular-se em quantidades bem maiores do que o lixo industrial convencional, faltando assim locais para reunir tanto material.

c) ser constituído de materiais orgânicos que podem contaminar muitas espécies vivas, incluindo os próprios seres humanos.

d) exalar continuamente gases venenosos, que tornariam o ar irrespirável por milhares de anos.

e) emitir radiações e gases que podem destruir a camada de ozônio e agravar o efeito estufa.

(Enunciado: ENEM 2005, prova 1 – Amarela — INEP.)

Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem ao ENEM.

Resolução comentada

O que a questão pede: o que torna o lixo atômico mais difícil de tratar que outros lixos tóxicos.

Passo 1 — de onde vem o perigo. O lixo atômico contém núcleos instáveis (radioativos). Cada um deles, mais cedo ou mais tarde, se transforma em outro núcleo e emite radiação (alfa, beta, gama). Essa radiação ioniza átomos e pode danificar células e o DNA.

Passo 2 — por que não dá para “desligar”. O decaimento radioativo é um fenômeno do núcleo do átomo. Aquecer, resfriar, misturar com reagentes, mudar a pressão: nada disso, que mexe só com os elétrons e as ligações químicas, altera o ritmo do decaimento. Um lixo químico tóxico pode ser neutralizado por reação química; o radioativo, não.

Passo 3 — por que dura tanto. O ritmo do decaimento é medido pela meia-vida: o tempo para metade dos núcleos decair. Alguns elementos do combustível usado têm meias-vidas de milhares a milhões de anos. Por isso o material precisa ficar isolado (piscinas, tambores, minas profundas) por um tempo enorme, esperando a atividade cair sozinha.

Por que não as outras: (B) a quantidade de lixo nuclear é pequena comparada ao lixo industrial; o problema é a periculosidade, não o volume. (C) os rejeitos são materiais inorgânicos (urânio, plutônio, produtos de fissão), e o perigo é a radiação. (D) e (E) o lixo nuclear não é uma fonte contínua de gases venenosos nem de gases que destroem o ozônio ou causam efeito estufa.

⚠️ A armadilha: a alternativa E, misturando “radiação” com problemas ambientais famosos (ozônio, efeito estufa). A radiação nuclear não tem nada a ver com essas duas questões atmosféricas.

A ideia em uma frase: a radioatividade vem do núcleo e não pode ser interrompida por nenhum processo químico ou físico comum; só o tempo, às vezes milhares de anos, diminui a atividade.

Resposta: alternativa A.

Vídeo em breve

A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.

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