Einstein 2016 (discursiva) — questão 1 de Física
Gabarito oficial ainda não divulgado. A banca não divulgou padrão de resposta (critérios de correção) para esta questão discursiva. A resposta é do Professor Filatte, obtida resolvendo a questão; se a banca vier a publicar os critérios, conferimos e corrigimos aqui o que divergir.

Enunciado em texto
Física & Matemática — Custo e manutenção dos aparelhos de imagem encarecem exames
É inegável que a evolução da medicina diagnóstica permitiu avanços sem precedentes na prevenção e tratamento de vários tipos de doenças. Se por um lado a tecnologia propiciou fidelidade cada vez maior nas imagens obtidas do interior do corpo humano, por outro ela também cobra o seu preço. Um exame de ressonância magnética, por exemplo, pode chegar a R$ 1 200,00 em média, se for feito sem material para contraste, e R$ 1 800,00 se essa substância para contraste for utilizada.
[Figura: fotografia de um aparelho de ressonância magnética — um grande anel (o tubo do magneto) com a maca do paciente à frente. Fonte: http://ressonanciamagnetica.cepem.med.br/]
A ressonância nuclear magnética, ou simplesmente ressonância magnética, é um método de diagnóstico por imagem que usa ondas de radiofrequência e um forte campo magnético para obter informações detalhadas dos órgãos e tecidos internos do corpo, sem a utilização de radiação ionizante. Esta técnica provou ser muito valiosa para o diagnóstico de uma ampla gama de condições clínicas em todas as partes do corpo. O aparelho em que o exame é feito consta de um tubo circundado por um grande eletroímã, no interior do qual é produzido um potente campo magnético.
Na técnica de ressonância magnética aplicada à medicina trabalha-se principalmente com as propriedades magnéticas do núcleo de hidrogênio, que é o menor núcleo que existe e consta de apenas um próton.
O paciente a ser examinado é colocado dentro de um campo magnético intenso, o qual pode variar de 0,2 a 3,0 teslas, dependendo do aparelho. Esse campo magnético externo é gerado pela elevada intensidade de corrente elétrica circulando por uma bobina supercondutora que precisa ser continuamente refrigerada a uma temperatura de 4K (Kelvin), por meio de hélio líquido, a fim de manter as características supercondutoras do magneto.
(Disponível em: http://www.famerp.br/projis/grp25/ressonancia.html. Adaptado.)
Um dos motivos para os altos valores cobrados por exames de imagem sofisticados é o alto custo desses aparelhos, dos custos de instalação e manutenção do equipamento, além da exigência de mão-de-obra extremamente qualificada para operá-los.
Um equipamento de ressonância magnética, por exemplo, pode custar de US 2 milhões a US 3,5 milhões, dependendo da sua capacidade. Além disso, há um adicional anual de cerca de R$ 2 milhões em manutenção, incluindo o custeio de procedimentos para arrefecer as bobinas magnéticas da máquina.
(Disponível em: http://glo.bo/19JB2sB. Adaptado.)
1. Admita que um determinado hospital adquira um aparelho de ressonância magnética pela média dos preços propostos no texto, e que sua manutenção citada seja anual. Calcule o tempo necessário, em anos, para que o investimento no aparelho, incluindo o seu custo de manutenção, seja coberto pela receita obtida com os exames realizados.
Considere 10 exames diários a preços normais de R$1 800,00, meses de 30 dias e 1 US = R$ 4,00
2. Nas proximidades da superfície da Terra, a intensidade média do campo magnético é de T e, conforme o texto informa, a intensidade do campo magnético produzido por alguns aparelhos de ressonância magnética pode chegar a 3T. Considere, por hipótese, esses campos magnéticos uniformes e produzidos por duas bobinas chatas distintas, de raios iguais a 1m para o aparelho e (raio da Terra) para a bobina da Terra; cada uma delas composta por espiras justapostas; percorridas pela mesma intensidade de corrente elétrica e mesma permeabilidade magnética do meio.
Determine a razão entre o número de espiras das bobinas chatas da Terra e do aparelho, respectivamente. Para simplificar os cálculos, adote o raio da Terra igual a 6 000 km.
(Enunciado e figura: Vestibular Einstein 2016, prova discursiva — Einstein/PUC-SP.)
Transcrição do enunciado original da prova, reproduzido para fins de estudo. Todos os direitos do enunciado pertencem à Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein e à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
Resolução comentada
O que a questão pede: são dois itens. O item 1 é de Matemática (quanto tempo a receita dos exames leva para pagar a compra mais a manutenção anual). O item 2 é de Física: a razão entre os números de espiras de duas bobinas chatas que produzem os campos da Terra e do aparelho.
Item 1 — o custo de compra. A média dos preços do texto, em milhões de dólares, convertida para reais (1 US = R$ 4,00), dá R$ 11 milhões:
A receita por ano: 10 exames por dia a R$ 1 800,00 dão R$ 18 000,00 por dia; com 30 dias por mês e 12 meses por ano (360 dias), são R$ 6,48 milhões por ano:
A conta do "empate". Depois de t anos, o hospital terá gasto a compra mais t manutenções de R$ 2 milhões, e terá recebido 6,48 milhões por ano. A receita cobre o investimento quando as duas coisas se igualam (valores em milhões de reais):
Ou seja, cerca de 2 anos e meio (2 anos e uns 5 meses e meio). Repare que, na prática, o lucro líquido de cada ano é 6,48 − 2 = 4,48 milhões, e é ele que paga os 11 milhões da compra.
Item 2 — o campo no centro de uma bobina chata. Para uma bobina chata de N espiras justapostas, raio R e corrente i, o campo no centro vale:
Isolando N: como as duas bobinas têm a mesma corrente e o mesmo meio (mesmo ), o número de espiras é proporcional ao produto :
Substituindo no SI, com km m e m:
Faz sentido: o campo da "bobina da Terra" é 60 000 vezes mais fraco, mas o raio dela é 6 milhões de vezes maior. Como o campo cai com o raio, ela precisa de 100 vezes mais espiras.
⚠️ A armadilha: no item 1, esquecer a manutenção (daria ano) ou usar o preço do exame sem contraste (R$ 1 200,00), que não é o preço pedido. No item 2, esquecer de converter o raio da Terra para metros: com 6 000 "km" no lugar de m, a razão sairia 1 000 vezes menor (0,1).
A ideia em uma frase: no centro de uma bobina chata o campo é proporcional a N/R, então, com a mesma corrente, o número de espiras é proporcional a B·R.
Resposta: (1) anos (cerca de 2 anos e meio); (2) .
Vídeo em breve
A resolução em vídeo desta questão ainda não foi gravada. A explicação escrita acima está completa, passo a passo. Novos vídeos saem no canal do Professor Filatte.
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